Quando o realizador Guillermo Del Toro anunciou que ia deixar a realização do projeto ‘O Hobbit', que acabou transformado em trilogia com Peter Jackson na realização, tinha um motivo de peso: a mais colossal das estreias deste verão, ‘Batalha do Pacífico', que chega hoje aos cinemas em 3D (e Imax). <span><b></b></span><b></b>
O filme volta à pioneira ideia do bem contra o mal, com a vantagem de assumir ser uma obra de referências cinéfilas, que se esforça por fazer a súmula de um género nem sempre bem tratado por Hollywood: a ficção científica.
Neste caso, e com um orçamento de cerca de 120 milhões de euros, o mexicano, que já tinha criado culto na aventura com os dois capítulos de ‘Hellboy', foi às memórias das produções de infância e, a partir de ícones como o de ‘Godzilla', criou um desafio à prova de críticas que se poderá tornar no ‘Avatar' deste ano, se não esbarrar no excesso de estreias desta época.
De entre as várias qualidades que possui, ‘Batalha do Pacífico' é um filme original, recusando a política de mais uma sequela que Hollywood se tem especializado, nomeadamente no campeonato dos super-heróis. No ano em que ‘Homem de Ferro' reaparece para uma terceira aventura e que se reabilitou a figura da DC Comics, ‘Super-Homem', em ‘Homem de Aço', Del Toro insistiu numa luta titânica entre monstros de traço oriental, chamados ‘Kaiju', e robôs que são a esperança da Humanidade, apelidados de ‘Jaegers'.
Quando o Mundo se encontra em risco e devastado por gigantescas criaturas alienígenas que se refugiam numa falha situada nas profundezas do Oceano Pacífico, uma equipa de elite caída em desgraça - liderada pelo ator Idris Elba, famoso pela série ‘Luther' - decide fazer frente às criaturas com recurso a figuras gigantes controladas pela memória de quem tem o talento para as manipular.
Nesta espécie de cruzamento entre ‘Godzilla', ‘Parque Jurássico', ‘Alien' e assumidamente ‘Transformers', ‘Batalha do Pacífico' tem o mérito de exibir sem problemas o músculo de Hollywood em matéria de filme-catástrofe.
Num cenário apocalíptico, que inclui a destruição de Hong Kong, a ação segue os esforços dos ‘Jaegers', com cuidado nos avanços e recuos de um grupo de protagonistas nem sempre muito coeso, mas que tem a vantagem de deixar o espetáculo entrar em cena em todo o seu esplendor.
No final, o que fica? Um divertimento colossal, a uma escala nunca vista, que pode ditar uma viragem na indústria: se falhar, dificilmente Hollywood continuará a apostar em produções desta escala.
Apesar de gigante na estrutura, ‘Batalha do Pacífico' tem marcas autorais, conseguidas pelo engenho de Del Toro. Algo que se nota nos diálogos cortantes, no imaginário gráfico de Hong Kong (que os cinéfilos tenderão a aproximar de ‘Blade Runner'...) e até na presença caricatural de Ron Perlman.
O destino da Humanidade está em boas mãos. E, com Del Toro, o do cinema-espetáculo também.
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