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Dustin Hoffman: “Há muitos anos que queria realizar filmes”

Conhecemos em Londres um dos maiores atores de sempre. Curiosamente, a estrear-se aos 75 anos como... realizador. O surpreendente e tocante ‘Quarteto’ chega esta semana às salas.

29 de Maio de 2013 às 19:33
Dustin Hoffman com a mulher, Lisa Gottsegen, com quem se casou em 1980 e de quem tem quatro filhos
Dustin Hoffman com a mulher, Lisa Gottsegen, com quem se casou em 1980 e de quem tem quatro filhos FOTO: D.R.

Correio da Manhã - Porque decidiu estrear-se na realização aos 75 anos?

Dustin Hoffman – É um prazer enorme dirigir atores, ou mesmo não atores, quando sabem o que estão a fazer. Neste caso, músicos e cantoras de ópera. Só assim conseguiram ser espontâneos. Foi talvez a melhor experiência que já tive.

- E porque não o fez antes?

- Há muitos anos que queria realizar filmes. Quando andava na escola de cinema costumava ajudar atores nas cenas que tinham para representar. Já nessa altura me diziam que deveria ser realizador. Só que receava perder a oportunidade de ser ator.

- Em ‘Quarteto’, aborda o tema do envelhecimento. Foi difícil para si?

- Eu não tive de o enfrentar: eu sou velho! (risos)

- Pode ser, mas não se reformou! Continua a trabalhar. Apesar de ter feito uma paragem de cinco anos.

- Isso é verdade. Você não é de Portugal? Então, como se chama o realizador...

- ... Manoel de Oliveira?

- Isso! O Manoel de Oliveira é uma pessoa que eu venero. É para ele que olho. Tem 104 anos e continua a fazer filmes.

- Sim, não pára. É algo que não está nos genes dele...

- E percebe-se que tem todo o amor e carinho por cada filme que faz. Para ele, filmar é como viver.

- Aliás, no filme há uma frase recorrente atribuída a Bette Davis que diz “a idade madura não é para medricas!” Nesse sentido, o Dustin Hoffman não é nada ‘medricas’...

- Não, isso não sou.

- Pergunto-lhe: qual foi para si o papel mais ousado nesta sua já longa carreira?

- Sempre senti a obrigação de andar perto dos limites. Se tivermos o luxo de poder escolher, que muitas pessoas não têm, temos de aceitar o papel que nos oferecem para poder continuar a viver.

- É verdade que se inspirou na sua mãe para a personagem de Dorothy em ‘Tootsie’?

- Sim, é verdade. E sabe que a minha mãe me chamava ‘Tootsie’ quando eu era miúdo?

- Como era ela?

- O que posso dizer é que como mulher e como atriz não era uma pessoa atraente. Mas recusava-se a parar de trabalhar. Por isso decidi que a ‘Tootsie’ preferia casar-se com trabalho.

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