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Correio da Manhã

Cultura
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É agradável ser sexy

A 63.ª edição do Festival de Veneza abriu ontemcom ‘A Dália Negra’, o policial de Brian De Palma inspirado no crime que, em 1947, apaixonou a opinião pública americana e que nunca foi resolvido. Mas foi a actriz Scarlett Johansson quem mais atenções concentrou na jornada inaugural. Tudo porque em ‘A Dália Negra’, Scarlett revela uma faceta ‘sexy’.
31 de Agosto de 2006 às 00:00
Na conferência de Imprensa que se seguiu à exibição, Scarlett Johansson revelou que não necessitou “de pensar muito para fazer as cenas mais sensuais”, em que contracena com o seu companheiro na vida real, o actor Josh Hartnett.
Uma das mais desejadas actrizes da actualidade, Scarlett (25 anos) rejeitou o peso de ser um símbolo sexual (“não penso nisso”), admitindo, no entanto, que é agradável “ser considerada ‘sexy’”.
Sobre o filme, passado no final dos anos 40, e a sua personagem, a actriz adiantou que não necessitou de imitar nenhuma diva desse período. “O Brian achou que eu deveria ter algum fascínio por essa época, mas não senti necessidade de me inspirar em ninguém em particular.”
‘A Dália Negra’ acompanha a versão ficcionada de James Ellroy (‘L. A. Confidencial’ e ‘American Tabloid’), em que dois detectives, Lee Blanchard (Aaron Eckhart) e Bucky Bleichert (Josh Hartnett), investigam o brutal assassínio da aspirante a estrela de cinema Betty Ann Short (Mia Kirshner), encontrada cortada ao meio, esventrada e com a boca cortada de orelha a orelha. À medida que a investigação avança, a relação entre os detectives é perturbada pela insatisfação de Kay (Scarlett Johansson), mulher de Lee, e crescente atracção por Bucky, que por sua vez se envolve com a sedutora Madeleine Linscott (Hillary Swank).
Apesar da excelente reconstituição de época e do bem urdido suporte narrativo, o par romântico não chegou a ‘aquecer’ o ecrã. Curiosamente, notou-se até um maior esforço por parte das actrizes secundarias, Mia Kirshner (‘24’) e a óscarizada Hillary Swank, no papel da aristocrata Madeleine Linscott, que seduz o agente Bucky Bleichert (Josh Hartnett).
Para Brian de Palma (66 anos), ‘A Dália Negra’ permitiu-lhe “exprimir a obsessão sexual das personagens e dos diversos triângulos amorosos”. O realizador confessou que lhe agradou “o ambiente de mulheres fatais, de personagens depressivas e predestinadas ao inferno”, concluiu.
CONFISSÕES
James Ellroy confessou que o romance que inspirou o filme de Brian de Palma foi, em parte, motivado pelo estrangulamento da sua mãe, em 1958, num homicídio igualmente sem solução. É esse relato que passou para a sua autobiografia ‘My Dark Places’, em que descreve também o percurso da sua juventude.
Josh Hartnett teve de treinar boxe durante sete meses para as cenas do combate com Aaron Eckhart. Mas não foi fácil. Segundo Eckhart, “muitas vezes esmurrei o Josh. No fundo, é uma espécie de dança, mas não deixa de ser muito perigoso. No entanto”, admitiu, “o Josh está um ‘pro’ [profissional] na matéria”.
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