Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
6

E ao segundo dia a poeira saiu do chão

Os Asian Dub Foundation e os Transglobal Underground anunciavam a estreia de bandas internacionais no cartaz do Festival do Tejo mas foram os portugueses Blasted Mechanism a levar ao rubro as mais de três mil pessoas presentes na Quinta da Marquesa.
25 de Julho de 2005 às 00:00
A prestação dos Blasted Mechanism suplantou a das bandas internacionais
A prestação dos Blasted Mechanism suplantou a das bandas internacionais FOTO: Vítor Mota
Após a semidesilusão de sexta-feira, o público correspondeu ao apelo do multiculturalismo e afluiu à Azambuja para uma grande festa. As bandas do palco principal remetiam para o cruzamento de vários ambientes sonoros, o que parece ter agradado à multidão.
Os Blasted Mechanism apresentaram-se com o seu habitual espectáculo cénico e, ao longo de hora e meia, ofereceram uma ‘rave’ inter-galáctica com muito ‘groove’ jamaicano. O conceito futurista da banda nada tem de utópico.
A verdade é que o grupo está mesmo na vanguarda no que concerne à ‘performance’ de palco, não só pela extravagância do fatos mas também por toda a atitude que deposita nas actuações, conduzindo a multidão a um êxtase colectivo. Uma multidão que não pára de dançar e que, ao som de ‘Blasted Empire’, ‘Karkov’ ou ‘Atom Bride Theme’, ainda encontra energia para reforçar o entusiasmo.
A jornada começara com a presença tímida dos Transglobal Underground que, embora tenham reunido um número interessante de espectadores, não entusiasmaram a plateia por aí além.
Quem trouxe grande animação à festa foram os Asian Dub Foundation, que fecharam a noite com o seu caldeirão musical composto por ritmos jungle, samples de cítara e outros ambientes sonoros que remetem para a sua ascendência paquistanesa. Tudo acompanhado por uma forte mensagem política debitada ao melhor estilo do hip-hop de intervenção.
O Palco ‘Blitz’ continua a ser um sucesso, com muita gente a assistir às actuações de Vicious Five, Ölga e DJ Nel’Assassin. Facto que deixa muito satisfeito o responsável do evento, Hélder Raimundo, que relembra que “a aposta em novos valores tem marcado os últimos cinco anos do festival”.
FESTA PELA NOITE DENTRO
Se a primeira noite do Festival do Tejo ficou marcada pela debandada geral após o final do concerto dos Xutos & Pontapés, no sábado muitos foram os que optaram por permanecer junto ao Palco ‘Blitz’, entregando o corpo e o espírito aos ritmos jamaicanos provenientes do palco.
Ao longo de duas horas, o colectivo português Dubadelic Vibrations, acompanhado pelo Mestre de Cerimónias Prince Wadada, disparou uma criteriosa selecção dos melhores temas do reggae e do dub. Aqueles que apresentaram maior resistência, mantiveram-se hipnotizados pelos ritmos psicotrópicos até perto das seis horas da manhã.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)