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Correio da Manhã

Cultura

É melhor do que o show dos franceses

Terry Jones, elemento dos ultrafamosos Monty Python – os originais – não se lembra de ter dado autorização à produtora UAU para fazer a versão portuguesa do show de teatro ‘Os Melhores Sketches dos Monty Python’, a que assistiu ontem à tarde, no Casino Lisboa, Parque Expo, e acha até que os franceses passaram ao lado dessa ‘pequena formalidade’, mas isso não parece afectar o seu bom humor.
3 de Dezembro de 2007 às 00:00
Bruno Nogueira, Miguel Guilherme, Terry Jones, José Pedro Gomes, António Feio e Jorge Mourato
Bruno Nogueira, Miguel Guilherme, Terry Jones, José Pedro Gomes, António Feio e Jorge Mourato
“Acho que a UAU deve ter pedido – eu é que não me lembro...” diz, acompanhando o comentário com um grande sorriso, em que, de resto, é pródigo. “Eu nem sabia que isto estava em cena... Mas achei o espectáculo bom”, apressa-se a dizer. “Percebi tudo – até porque conheço os sketches de cor – e isso é mais do que posso dizer da montagem francesa, que está em cena em Paris e da qual não percebi nada. Não entendo onde é que os rapazes foram buscar aquelas ideias...”
Com grande à-vontade, Terry Jones, que é também conhecido por ter realizado os três filmes dos Monty Python e que costumava – tanto nos filmes como nas séries – dar corpo à maior parte dos papéis de mulher, explica que foi ‘obrigado’ a cumprir ambas as tarefas. “Mais ninguém queria fazer”, garante, com novo sorriso de orelha a orelha.
Do espectáculo espanhol não fala, até porque nem sabia que estava em cena. “O quê? Também está em Barcelona? Não fazia ideia nenhuma. Não consigo acompanhar estas coisas”, confessa, acrescentando que, pela sua parte, não tem planos próximos para voltar aos palcos.
“Não sinto falta, para ser sincero. Fizemos muito este espectáculo durante os anos 70, e em 1991 fizemo-lo em Los Angeles. Desde então, o John (Cleese) queria que voltássemos à estrada, mas o processo falhou”, revela. Não por culpa dele, acrescenta. “Eu queria fazer e o Eric (Idle) também, mas o Terry Gillian só pensa em cinema. Não quer fazer mais nada”, sublinha.
Terry Jones só lamenta que os cómicos portugueses – António Feio, José Pedro Gomes, Miguel Guilherme, Bruno Nogueira e Jorge Mourato – não tenham feito o sketch da Inquisição Espanhola, que é, entre os que compõem o show, o seu preferido. “Espero que o façam em Espanha!”
Com uma sala cheia, ontem o Casino Lisboa levantou-se em peso para aplaudir o homem que já fez rir mais pessoas do que as que consegue contar.
A SUA ÓPERA ESTREIA A 12 DE JANEIRO
Terry Jones está em Portugal por duas razões. Por um lado, o Teatro Municipal São Luiz vai repôr, no próximo dia 7, o seu espectáculo ‘Contos Fantásticos’ (a partir das histórias infantis pelas quais também é conhecido, sobretudo em Inglaterra).
Por outro, o mesmo espaço vai estrear, a 12 de Janeiro, a sua primeira ópera, ‘Evil Machines’. “Estou muito excitado”, revela. “É a primeira vez que vou encenar uma ópera e estou ansioso por fazer um bom trabalho”. Com libreto de sua autoria e música de Luís Tinoco, o espectáculo fará a sua estreia absoluta em Lisboa e mostra-nos uma visão aterradora de um mundo dominado por máquinas. Os ensaios já começaram.
PERFIL
Nascido a 1 de Fevereiro de 1942 em Colwyn Bay, País de Gales, Terence Graham Perry Jones é, com o seu 1,73 m, o mais baixo dos Monty Python. Formado em História Moderna pela Universidade de Oxford, tem dificuldade em pronunciar a letra ‘r’. Realizou ‘Em Busca do Cálice Sagrado’, ‘A Vida de Brian’ e ‘O Sentido da Vida’.
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