Em tempo de audiolivros, o poeta José Agostinho Baptista, convidado pela Assírio & Alvim a integrar a colecção especial da editora, convidou o radialista António Cardoso Pinto para lhes dar voz e o resultado é uma antologia de 30 anos a que deu o título de ‘Além-Mar’.
“Sou um homem de excessos, mas temo os limites”, disse referindo-se ao amor platónico pelo México, sobre o qual escreve há três décadas sem nunca lá ter posto os pés. O poeta tem medo de voar, mas há outras razões: “Não é o medo da desilusão, mas do regresso”, adianta.
Na sua casa de Alfama sobram, de resto, referências a viagens feitas e por fazer e o homem que a habita combina com ela. Explica-se muito. Em detalhe. Quer muito ser entendido. Foi por isso se fez poeta.
“A poesia era a minha forma de estar, de falar e tocar os outros, o que hoje já não acontece. Gastou-se este lirismo, esta inocência. E, no entanto, é ainda isto que me dá algum alento. Muito mais do que os prémios, que nem por isso desprezo. Deviam é ser mais”, confessa, entre a gargalhada solta e a lágrima furtiva, duas presenças constantes.
Quem melhor o entende é quem lhe lê os livros como a D. Fernanda, sua senhoria que, um dia destes, se revelou crítica literária de mão cheia: “A sua poesia não é fácil porque é feita de tranças que é preciso desfazer para entender”, disse.
Homem de rua, é nela que o poeta encontra inspiração, não em casa sentado atrás do computador a que só recentemente se rendeu, sem se desfazer, contudo, da máquina de escrever.
José Agostinho Baptista não entende sequer que se possa escrever com disciplina e método e, “se fosse capaz”, escrevia prosa. Com pré- aviso só mesmo o ofício da tradução a que também se dedica.
A poesia é tudo o que o preenche: “Chamo-lhe um estado de graça, ou de desgraça, que acontece quando quer, sem pré-aviso, nos momentos mais inesperados, fruto de qualquer coisa que se está a passar cá dentro. É uma espécie de gravidez”, sublinha. E relata episódios curiosos, como quando foi obrigado “a entrar num café à procura de um guardanapo”, ou a irromper “papelaria adentro para encontrar um bloco”. Porque a poesia não pode esperar.
Os seus lugares têm a uni-los o mesmo sentimento de atracção e rejeição que manifesta no ‘exílio’ em Lisboa. “Sou cada vez mais estrangeiro em Lisboa e não queria que me trouxesse ao colo, apenas que não me agredisse. E agride”, confessa, culpando a desumanização da cidade. A sua Madeira, essa, ocupa lugar especial: “A Madeira é o princípio dos princípios e, se a poesia é um corpo dentro do meu corpo, foi lá que esse corpo nasceu. E nasceu tudo: o bom e o mau. O regresso (ao fim de quase 20 anos) foi turbulento e doloroso. Foi como tinha de ser. Cada vez mais acredito que é o destino que me move”, conclui.
UM OBJECTO DE CULTO
Barcos... E tudo começou na Ilha da Madeira quando, ainda muito jovem e já ávido de marear, começou a coleccionar postais de navios. Os mesmos que via partir e chegar e lhe inspiravam desejos de viagem. Nunca sofreu de insularidade e agradece isso aos barcos.
MOMENTO INESQUECÍVEL
O regresso à Madeira após dezanove anos de ausência...
MOMENTO PARA ESQUECER
... o regresso à Madeira após dezanove anos de ausência.
SER POETA É...
Viver poeticamente. Sempre!
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