Os portugueses Moonspell regressam aos discos com ‘Memorial’, o primeiro lançamento após a saída da editora alemã Century Media. O álbum promove um regresso da banda às suas raízes sonoras e está à venda a partir de hoje.
Correio da Manhã – Qual é o conceito que está na base de ‘Memorial’?
Fernando Ribeiro – ‘Memorial’ é um álbum que se estabelece no jogo entre memória e presença... entre um passado vivo, o presente que construímos, e a forma como o fazemos, e os ensinamentos que vamos retirando para o futuro. A nível lírico continuamos a explorar as temáticas do amor, da morte e do isolamento, que é uma característica muito portuguesa.
– ‘Memorial’ tem sido apontado como um disco que marca o regresso dos Moonspell às suas raízes musicais. Foi isso que procuraram fazer?
F.R. – Recuperámos tradições que, ao longo do tempo, se foram constituindo como a eternidade do nosso som, mas este não deixa de ser um disco actual, do seu tempo. Não procuramos fazer um tributo puro e duro à década de 90.
– Quais são as principais transformações na passagem de ‘The Antidote’ para ‘Memorial’?
F.R. – Acho que houve uma grande evolução da banda na forma como ligamos o pensar ao fazer. Nesse aspecto, considero ‘Memorial’ o nosso melhor álbum. É o disco em que melhor traduzimos as nossas intenções musicais.
– Neste álbum voltaram a trabalhar com o produtor Waldemar Sorychta. Ele foi importante para atingir essa evolução?
F.R. – Sim. O Waldemar é uma figura que nos é muito familiar e é alguém que se envolve a todos os níveis da concepção e produção de um álbum.
Pedro Paixão – Ele é muito importante, porque é capaz de nos aconselhar no sentido de criar pequenas dinâmicas que transformam por completo o nosso som, potenciando-o para outras dimensões.
– Os instrumentais voltam a assumir um papel de maior destaque...
P.P. – Os instrumentais sempre foram um enquadramento estético dos Moonspell. Neste álbum, muito forte, com músicas dotadas de grande personalidade, é necessário pontuar toda a sua intensidade, de forma a que o público possa respirar e sentir a música.
– Este é o vosso primeiro lançamento após a saída da Century Media. Por que é que não prolongaram a ligação com a editora?
F.R. – Já não era entusiasmante trabalhar os discos da forma que eles pretendiam. A Century Media é hoje diferente da editora que conhecemos. Evoluíram para uma referência musical que não é a nossa. Depois há o lado contratual. Quando assinámos, em 94, andávamos na casa dos 17/18 anos, com toda a ingenuidade que daí advém. e sendo portugueses não tínhamos com quem nos aconselhar.
Formados 1989 como Morbid God, adoptam o nome Moonspell em 1992. Em Janeiro de 1994 editam ‘Under The Moonspell’, o EP que lhes garante o contrato de seis álbuns com a editora germânica Century Media. O sucesso imediato em território alemão catapulta-os para o resto da Europa. Integram a primeira vaga do metal a visitar os países de Leste e a fama leva-os à Turquia, EUA e América Latina.
Ao vivo, Fernando Ribeiro (voz), Ricardo Amorim (guitarra), Pedro Paixão (teclas) e Mike Gaspar (bateria), fazem-se acompanhar ao vivo pelo baixista Aires Pereira.
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