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Correio da Manhã

Cultura

ELOGIO DE UMA MODERNIDADE ULTRAPASSADA

Para cinéfilos que dizem vislumbrar para além do óbvio. Poderia muito bem ser esta a frase-chave de 'Playtime – Tempos Modernos', uma nova cópia do original francês de 1967.
19 de Dezembro de 2003 às 00:00
Jacques Tati realiza e interpreta o papel principal, o de Monsieur Hulot, que se perde nos meandros iconográficos da modernidade parisiense dos idos anos 60. Tati é um mero peão entre símbolos do avanço civilizacional da cidade-luz, plena de labirintos que enaltecem os tempos modernos... daqueles tempos, bem entendido.
No filme, o desajeitado francês percorre a cidade, reencontrando velhos conhecidos e iniciando novas amizades, numa divertida deambulação. Prédios de dezenas de andares, cadeiras em pele que se repetem na decoração moderna das casas do futuro, objectos com funcionalidades até então desconhecidas, desfilam como se uma grande exposição da modernidade se tratasse.
Desta forma, “Playtime – Tempos Modernos” é um hino ao 'non-sense' em que quase todo o filme parece recordar a linguagem do cinema mudo. A cena final, a inauguração de um restaurante, é das mais divertidas, num filme de riso intelectual..., ou seja, para quem vislumbra para além do óbvio.
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