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Correio da Manhã

Cultura
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Em busca da maior das obras-primas de Da Vinci

As autoridades italianas permitiram, finalmente, a realização de explorações no ‘hall’ de um dos mais famosos palácios do país, o Vecchio, em Florença, onde estará emparedada aquela que é considerada a maior obra-prima de Leonardo Da Vinci e que se julgava perdida: o inacabado mural da Batalha de Anghiari, pintado há mais de quatro séculos.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
As investigações, com vista à recuperação da obra, vão, então, começar, agora que o ministro italiano da Cultura, Francesco Rutelli, aprovou a realização das explorações no palácio.
Maurizio Seracini começou a suspeitar da existência da obra quando descobriu, há 30 anos, uma mensagem codificada – ‘cerca, trova’ (‘procura, encontra’) – numa bandeira minúscula que Giorgio Vasari pintou, no séc. XVI, num fresco retratando a batalha de Marciano.
Pintor e arquitecto, Vasari (1511-1574) tornou-se conhecido pelas biografias que escreveu de diversos artistas italianos, incluindo Da Vinci, mas é também famoso por ter feito desaparecer várias obras de arte, emparedando-as nos edifícios que renovou. Reza a História que terá mesmo sido pago para dar sumiço ao mural de Da Vinci, escondendo-o precisamente no ‘hall’ do Palazzo Vecchio, quando tratou da renovação do local.
Descoberta a pista de Vasari, Seracini examinou a área por detrás do fresco com raios-X e encontrou uma cavidade exactamente do tamanho da obra desparecida de Da Vinci. E só agora, três décadas depois, conseguiu que as autoridades permitissem as explorações. “Não estamos a falar de uma busca qualquer, mas sim da procura da maior das obras-primas de Leonardo”, explicou o investigador que, curiosamente, é citado no ‘best-seller’ ‘O Código Da Vinci’ a propósito de um outro quadro.
Leonardo Da Vinci começou a trabalhar na ‘Batalha de Anghiari’ em 1505 e algumas crónicas referem que terá usado tintas que rapidamente se degradaram e estragaram o trabalho. Todavia, Seracini garante estar na posse de documentos que provam que a obra não só foi admirada como copiada durante décadas.
MONUMENTO É 'EX-LIBRIS' DE FLORENÇA
Chamado originalmente Palazzo de la Signoria, por estar situado na praça de la Signoria, em Florença, o Palácio Vecchio começou a ser construído em 1299 pelo arquitecto Arnolfo di Cambio que nele incorporou na fachada a antiga torre de Foraboschi. Após a sua morte, o edifício foi terminado, por outros artistas, em 1314. Com a forma de um paralelipipedo, o palácio alberga, na fachada principal, a Torre Arnolfo que, com o passar dos anos, se transformou no ‘ex-libris’ da cidade.
Em 1400, a torre e o jardim exterior tiveram de ser reconstruídos por risco de derrocada e, entre 1540 e 1550, foi utilizado como residência da família Medici, que utilizava regularmente os serviços de Giorgio Vasari, chamando-se, então, Palácio Ducal. Hoje alberga um museu com telas de Bronzino, Michelangelo e Vasari, entre outros.
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