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Correio da Manhã

Cultura
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Em busca de perfil para o rei

O Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) está a analisar um segundo pedido da Universidade de Coimbra para proceder à abertura do túmulo de D. Afonso Henriques, situado na Igreja de Santa Cruz, em Coimbra.
19 de Janeiro de 2007 às 00:00
D. Afonso Henriques pode vir a ter o seu perfil biológico definido
D. Afonso Henriques pode vir a ter o seu perfil biológico definido FOTO: Estela Silva, Lusa
A intenção dos investigadores é traçar o perfil biológico do primeiro rei de Portugal e ‘dar-lhe’ um rosto, propósitos para as quais contam com um ‘scanner‘ de alta precisão. Um aparelho único na Europa e muito procurado por especialistas.
O novo pedido deu entrada no IPPAR em finais do ano passado, depois de um ‘chumbo’ daquele instituto. Só que desta vez a decisão será conhecida dentro de um novo prazo legal de 45 dias, em vez dos anteriores 90.
“Confirma-se que entrou no IPPAR, no final de 2006, um pedido de reapreciação do processo que está a ser analisado à luz do novo regulamento, estipulando os prazos que a senhora ministra homologou no regulamento. Entretanto, foram feitos contactos de parte a parte, mas, de momento, não há nada de novo”, fez saber ontem o IPPAR.
O caso data de Julho de 2006, quando um grupo de investigadores portugueses e espanhóis, liderado pela antropóloga Eugénia Cunha, foi impedido pelo IPPAR de abrir o túmulo do primeiro rei de Portugal.
Acontece que com esta decisão a direcção nacional do IPPAR desautorizou a direcção regional que, previamente, assegurara a iniciativa com base “na existência de um erro administrativo na condução do processo”, segundo conclusão do relatório de apuramento de responsabilidades.
Com efeito, o relatório responsabilizava o IPPAR de Coimbra, sob a direcção de José Maria Tadeu Henriques, por não ter sujeitado a intenção da equipa de Eugénia Cunha “às devidas ponderações e decisões superiores”. Conclusão: em despacho, a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, determinou que a direcção nacional do IPPAR procedesse ao levantamento exaustivo das diligências efectuadas, o que resultou na proibição da exumação das ossadas de D. Afonso Henrique.
João Gabriel Silva, presidente dos conselhos directivo e científico da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, mostra-se agora, bastante mais confiante e optimista.
“O processo está em andamento. e tem havido alguma interacção entre o IPPAR e a Universiade de Coimbra”, disse.
O parecer do IPPAR será depois sujeito a apreciação por parte da ministra da Cultura, para uma decisão final.
"GRANDE INVENTOR DE PAÍS IMPROVÁVEL"
A jornalista Leonor Pinhão, defensora de D. Afonso Henriques como um dos ‘Grandes Portugueses’, na iniciativa em curso na RTP, concorda com a abertura do túmulo em Coimbra, já que poderá esclarecer o ‘mito’ da verdadeira altura do primeiro rei de Portugal.
“Espero que ele tenha de facto os tais 1,90 metros de altura de que se tanto se fala, porque se tiver 1,50 metros, aí, já pode ser negativo para a votação”, disse, referindo-se à eleição em curso para ‘Os Grandes Portugueses’.
Leonor Pinhão defende também a realização da investigação por motivos científicos e explicou por que razão escolheu D. Afonso Henriques como ‘Grande Português’.
“Ele era um homem notável não por ter sido o primeiro rei de Portugal mas por ter sido o primeiro português. Por ter inventado Portugal tal como se inventou a si próprio enquanto português, coisa que ninquém tinha feito antes. Por isso acho que ele é o grande inventor de um país improvável”, concluiu.
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