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Correio da Manhã

Cultura
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Em dia de muitas vivências taurinas

Muito interessante o festival na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa, no sábado, 18 de fevereiro. Sob a direcção de Pedro Reinhardt, lidaram a duo as seguintes duplas de cavaleiros: Rui Salvador e o rojoneador espanhol Manuel Manzanares; Luís Rouxinol e Filipe Gonçalves, Brito Paes (que substituiu Telles Bastos) e Francisco Palha.
Joaquim Tapada e A.P. 19 de Fevereiro de 2017 às 19:59

Houve vários ferros bem preparados e cravados, porém, nesta modalidade a duo é sempre difícil analisar os comportamentos dos artistas pois cada um está sempre sujeito ao desempenho do seu companheiro. Apesar de tudo viram-se actuações razoáveis e, se fosse necessário atribuir um prémio à melhor dupla, talvez fosse atribuído a Rouxinol e Filipe Gonçalves que deram uma lide mais viva e com mais conjunto. Enfim cada um dos cavaleiros não comprometeu e deixou a ferragem bem colocada.
Em relação ao comportamento dos forcados (grupo formado pelos cabos de cada um dos grupos inscritos na ANGF) há que salientar a pega do primeiro novilho que só foi pegado à 7ª. tentativa, depois do forcado da cara ter sido dobrado por João Grave, Domingos Jeremias, do grupo de Redondo executou a melhor pega da tarde, sendo a última consumada por Márcio Chapa, da Tertúlia do Montijo.Seguiu-se a actuação dos matadores El Fandi, António João Ferreira e Manuel Dias Gomes que estiveram à altura das expectativas. O valoroso e experiente matador espanhol esteve muito bem quer com o capote, quer com a muleta.
Nas bandarilhas - que são a sua principal característica - não teve quaisquer dificuldades e deixou quatro pares bem conseguidos. António João Ferreira confirmou o seu muito valor que tem demonstrado desde 2008, ano em que recebeu a alternativa de matador. Tranquilo, lanceou de capote com muito mando e esteve em bom plano com a muleta, elaborando uma faena variada muito apreciada pelo público. Aguardava-se também a faena de Manuel Dias Gomes que tanto se distinguira na mesma arena na noite de 29 de Setembro do ano transacto. E Dias Gomes confirmou estar em boa forma e com um toureio muito mais maduro. Luziu-se com o capote através de bonitas verónicas e soube conduzir a faena de muleta perante um bonito novilho que cedo perdeu a força e obrigou o matador a um maior esforço.
Perante as faenas dos dois matadores portugueses, podem os aficionados pensar que num futuro próximo tenha lugar uma saudável competição entre eles de modo a fazer reviver outros mano-a-mano que tanta emoção trouxeram ás arenas. O festival encerrou com a actuação de recortadores portugueses. De um modo geral os novilhos bem apresentados de diversas ganadarias cumpriram tanto os da lide a cavalo, como os da lide a pé.

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