Blind Zero. Ao quarto álbum, a banda do Porto assume a maturidade sem perder a motivação. “A Way To Bleed Your Lover”, confirma, e reforça, estes argumentos
Correio da Manhã- Quatro álbuns depois como analisam o vosso percurso?
Vasco Espinheira - Tem sido coerente, pelo menos com os objectivos que traçámos. O objectivo principal, quando começámos, era o primeiro disco, mas a partir daí os objectivos foram-se alterando, mas a coerência sempre se manteve.
- Coerência na filosofia musical ou em termos de carreira?
V. E. - Mais à fisosofia de carreira, porque a musical está em constante mutação. Nunca quisemos repetir discos nem acho que seja interessante fazê-lo. Cada disco deve falar por si e ser diferente dos outros, mais não seja para que quem o compõe sinta uma dinâmica de grupo.
- Os Blind Zero surgiram na altura de um certo “boom” em termos de novas bandas, novos projectos... Hoje a situação mantém-se?
Miguel Guedes - Continuam a surgir muitas bandas, esse “boom” já não se restringe às grandes cidades, há bandas a nascer nos sítios mais recônditos. Talvez devido ao facto da informação chegar muito mais depressa, há bandas a crescer com qualidade em todo o lado. Se calhar naquela altura era uma questão de moda. Hoje é mais vulgar, não se fala tanto num “boom”, mas há grupos a quererem dizer coisas muito interessantes.
- E após este tempo o que vos faz continuar?
M. G. - Ter coisas para dizer. Enquanto sentirmos que ainda temos hipótese de transpor para a música o que somos continuaremos a ter motivação e a poder existir enquanto músicos. Quando acharmos que nos estamos a repetir ou que já nada temos de novo para contar, talvez optemos em passar para outra.
- Neste álbum, “A Way To Bleed Your Lover”, viraram-se muito para a canção e para os seus limites. Procuraram chegar à canção perfeita?
M.G. - Passe o pretensiosismo, foi sempre algo que tentámos fazer. Quem escreve canções pretende fazer a melhor, se bem que muitas vezes também se torna imperfeição e dessa imperfeição pode surgir a canção perfeita. No fundo, não há regras. Cada ambiente é um ambiente e procurámos explorá-los, de facto. Quisémos fazer um disco que tivesse uma densidade muito própria, um fio condutor de alguma intensidade dramática que, simultaneamente, conseguisse juntar isso com alguma emoção contida e também procurar o contraste entre letras mais duras e agrestes.
- Letras que parecem um pouco obcecadas, “negras”....
M.G. - Em grande parte são sobre pessoas obcecadas consigo próprias e com o seu espaço no mundo.
- É um disco obscuro?
M.G. - É um disco obscuro que, na linha dos outros, continua a ter uma temática densa, mas que assume um carácter mais “visceral” do que os restantes.
- Mas há um toque mais épico em termos de produção, não é uma coisa minimalista...
M.G. - Neste álbum, assumimos a função de fazer um ‘disco de estúdio’, mais trabalhado e requintado. Entre o ‘veludo e o negro’, mas que depois, nas letras, fosse bastante vermelho, tivesse sangue, coração, alma... Fala-se de pânico, paixão, suicídio, de personagens que sobem a telhados para ‘atirar às estrelas’. Há um certo romantismo mas também um lado muito negro.
- Foi fácil convencer o Jorge Palma a participar? Poucos sabem que ele começou a cantar em inglês...
M.G. - Foi. Fizemos um telefonema e convidámo-lo. Para nós ele é uma enorme referência, um dos melhores, senão o melhor, letrista português. O facto de cantar connosco é uma honra, até porque encarnou perfeitamente o espírito da canção.
- E o Dana Colley (ex-saxofonista dos Morphine)?
M. G. - Quando estávamos a terminar a pré-produção, ouvimos um saxofone no tema “No Way, Jose” e era o Dana! Soubémos que vinha a Portugal, enviámos-lhe um ‘e-mail’ e uma canção nossa, ele gostou e acabámos por gravar não uma mas três canções. Trouxe-nos uma carga muito positiva para o disco.
Os Blind Zero são Marco Nunes, Vasco Espinheira, Miguel Guedes, Nuxo Espinheira, Pedro Guedes e Miguel Ferreira (ex-Clã). Formaram-se em 1994, e no ano seguinte participaram no Festival Termómetro Unpluged, de que se sagram vencedores. Segue-se a gravação do EP ‘Recognize’ (’95) e pouco depois, gravam o primeiro álbum “Trigger” (’95). “Flexogravity” (’96), “TransRadio” (’96), “RedCoast” (’97)e “One Silent Accident” (2000) foram as edições que se seguiram. Este ano regressam com “A Way To Bleed Your Lover”.
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