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‘Escândalo na TV’ e ’Um Dia de Cão’ voltam ao grande ecrã

Era dos cineastas que melhor conseguia captar as clivagens sociais, as emoções levadas ao limite, os ziguezagues da Justiça e do Bem e do Mal. Sidney Lumet morreu em Abril, aos 86 anos, e deixa uma obra imensa, que ajuda a perceber melhor as tendências sociais de uma América em ebulição. A partir desta quinta-feira, a Cinemateca recorda-o em dez preciosos filmes.

02 de junho de 2011 às 18:03

Tal como Orson Welles, Alfred Hitchcock ou Stanley Kubrick, o norte-americano foi um dos grandes injustiçados pela Academia, dado que, apesar de cinco nomeações, nunca recebeu um Óscar de Melhor Realizador.

Segundo escreveu o ‘The New York Times’, Lumet era “um realizador que preferia as ruas de Nova Iorque a Hollywood e cujas histórias de consciência se tornaram clássicos”.

Na apresentação do ciclo ‘In Memoriam Sidney Lumet’, o Museu do Cinema recupera uma das suas frases de génio, capaz de ilustrar muito bem o que era a sua arte: “Um bom estilo, para mim, é um estilo invisível. É um estilo que se sente.”

O arranque da série de filmes que voltam agora ao grande ecrã é de assombro: ’12 Homens em Fúria’ (esta noite, às 21h30) é um dos mais amados filmes sobre tribunais, com a acção a passar-se numa sala, onde uma dúzia de membros de júri questionam a verdade de um crime. Com um aspecto teatral, o filme colocou o nome de Lumet logo entre os melhores, tendo sido rodado num expressivo preto e branco.

Segue-se ‘Um Dia de Cão’ (esta sexta-feira, 21h30), obra maior sobre um assalto que acaba mal. Al Pacino arrisca num desempenho voraz, na pele de um assaltante de um banco que entra no mundo do crime para conseguir dinheiro para pagar a operação de mudança de sexo do namorado. Baseado num caso real, é um exercício de estilo e um filme muito esclarecedor sobre a turbulência do cinema norte-americano nos anos 70.

A fiel adaptação da obra de Agatha Christie, ‘Um Crime no Expresso do Oriente’ (quarta, dia 8, às 19h00) provou que Lumet também sabia as regras dos policiais de cor, num filme com um elenco de luxo: Lauren Bacall, Albert Finney, Jacqueline Bisset, Anthony Perkins e Ingrid Bergman brilham por aqui.

‘A Manhã Seguinte’ (quinta, dia 9, 19h00), thriller com Jane Fonda sobre uma mulher que acorda com um morto ao lado, ‘Fuga Sem Fim’ (terça, dia 14, às 21h30), com River Phoenix a escapar-se ao FBI, e ‘Garbo Talks’ (quinta, dia 15, às 21h30), sobre uma obsessão pela estrela Greta Garbo, são as obras que se seguem.

Sidney Lumet será também lembrado por ‘Inquérito Escaldante’ (quinta, dia 16, às 19h00), filme que aborda a corrupção na polícia nova-iorquina, com Nick Nolte. E por ‘Escândalo na TV’ (segunda, dia 27, às 21h30), talvez o seu trabalho mais reconhecido, que questiona o poder mediático da televisão. Um apresentador (soberbo Peter Finch, que recebeu um Óscar de Melhor Actor a título póstumo) sofre um colapso nervoso e começa a dizer o que pensa em directo, perante uma câmara de televisão. O filme ganhou a estatueta dourada de Melhor Filme, mas, apesar de ser irrepreensível, a realização de Lumet foi esquecida pela Academia.

‘O Assassino Está Entre Nós’ (terça, dia 28, às 21h30) e ‘Antes Que o Diabo Saiba Que Morreste’ (dia 30, quinta-feira, às 21h30) fecham o ciclo. Este último foi a sua derradeira obra, data de 2007, e, apesar de ter passado despercebido, revela, mais uma vez, toda a força da câmara de Lumet. Ethan Hawke e Philip Seymour Hoffman estão geniais na pele de dois irmãos que assaltam a ourivesaria dos pais. As consequências vão ser extremas.

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