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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

ESCREVER BEM É ESCREVER MUITO

Tiago Rebelo, jornalista e escritor - Trata o romance por tu, ou seja, as reedições sucedem-se desde a estreia, já lá vão três anos e cinco histórias de gente, a pretexto dos amores e desamores de quem os vive... Romântico mas pouco!

08 de julho de 2004 às 00:00

Correio da Manhã – Três semanas durou a primeira edição de ‘Romance em Amesterdão’. Fenómeno idêntico conheceram os quatro anteriores. Fórmula do sucesso?

Tiago Rebelo – Nestas coisas acho que nunca há uma fórmula e isto porque até podemos pensar que as pessoas vão adorar um determinado género de livro que, de certeza, vai pegar bem e correr melhor e depois não acontece nada disso. E temos outro fenómeno de que é exemplo o caso do ‘Código da Vinci’ que toda a gente anda a ler (eu inclusive) e que, de tanto se falar, vai correndo e vendendo... É sempre uma incógnita.

E, pensando nisso, há uma estratégia paralela ao processo criativo?

– Não, de todo! Também não escrevo para mim e os outros que se lixem mas não estou a pensar nas vendas por antecipação, até porque acho que não resulta, não é assim que funciona. Uma coisa sei de que tenho a certeza, hoje em dia, numa sociedade como a nossa, livros como outra coisa qualquer, se não forem minimamente falados e promovidos (e ao escritor cabe esse trabalho), não vendem mesmo. As pessoas não compram o que não sabem que existe, é simples!

E por falar em códigos, o romantismo está-lhe no código genético ou é da reserva exclusiva do código do escritor?

– Mas o meu romantismo é um pretexto para mais do que um romance... Não é possível falar da vida sem falar das relações entre as pessoas e, no meu caso, não gosto de escrever uma história que seja pura e simplesmente um caso de amor. Gosto de partir desse pretexto para muitas outras coisas, como acontece neste ‘Romance em Amesterdão’, em que dois homens tão diferentes se vão descobrir tão iguais. Em confronto, as pessoas conseguem ser muito mais parecidas do que se julgam, a mensagem era essa... Não sei se passou!?

Os jornalistas-escritores tendem a ficcionar a realidade. O seu caso é regra ou excepção?

– Nem por isso. O que aconteceu no princípio era que as minhas personagens principais eram jornalistas porque, quando se escreve uma história, é muito importante conhecer muito bem os ambientes sobre os quais se escreve e isto vê-se nos pormenores... De resto evito ao máximo o recurso biográfico. O mais difícil para se escrever não é a imaginação, toda a gente tem uma história na cabeça, difícil mesmo é escrevê-la. E escrever bem é resultado de escrever muito.

E o próximo livro está já escrito ou por escrever?

– Está no bom caminho para sair no próximo ano mas não gosto de falar antes de tempo... É que já não é o primeiro que eu abandono!

Nome: Tiago Rebelo

Data de nascimento: 02/03/1964

Naturalidade: Lisboa

Estado civil e descendentes: casado, três filhos

Percurso e funções actuais: Jornalista há dezoito anos, começou na RR, passou pela RTP e é, actualmente, editor na TVI, onde chegou em 1994. Desde 2001, desenvolve actividade literária paralela, iniciada com ‘Para Ti, Uma Vida Nova’, hoje, em quinta edição.

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