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Correio da Manhã

Cultura
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Escrevo a ficção à mão

Criminalista, escritor e também autarca, Francisco Moita Flores tem um novo livro nas lojas. Chama-se ‘A Fúria das Vinhas’ e marca o seu regresso ao tema da investigação criminal.
23 de Março de 2007 às 00:00
Segundo Moita Flores, este foi mais um livro escrito “à mão”. “Escrevo a ficção à mão. Permite-me um melhor impulso na materialização das emoções e na organização das ideias com as emoções. E a mão não tem aquela vigilância crítica do computador.”
Iniciado há dois anos, o livro era para ter saído em 2006, mas a eleição para a Câmara de Santarém obrigou Moita Flores “a abrandar”. “As últimas cem páginas”, prosseguiu, “escrevi-as quando já era presidente, o que me obrigou a um esforço extra. Escrevia quando tinha tempo. Para o terminar de vez tirei uma semana de férias no último Verão e dediquei-me totalmente”. Um processo que, confessou, o obrigou a disciplinar-se: “Meto-me em casa, escrevo e não faço mais nada. E fumo, mas não bebo. Sou abstémio. Mas fumo e muito quando estou a produzir. É o meu calcanhar de Aquiles.”
Habituado a criar personagens, “devo ter criado mais de mil”, o problema maior para o escritor é a trama: “Tenho de a construir à priori e levo muito tempo nisso, a falar comigo, sozinho, com os meus conflitos. Aliás, a minha família já sabe e quando estou nesse estado nem me dirige a palavra.”
Sempre atento ao que o rodeia, Moita Flores confessou ainda que criou o detective Vespúcio Ortigão em Paris. “Estava a almoçar e à minha frente estava um homem que era tal qual [a personagem do livro]. Era muito alto e ria de uma maneira engraçada. Era perfeitamente desconjuntado. Achei tanta graça que resolvi trabalhá-lo.”
DOZE MIL LIVROS JÁ VENDIDOS
‘A Fúria das Vinhas’ já chegou ao primeiro lugar do top de vendas da Bertrand e ao terceiro da Fnac, com 12 mil exemplares vendidos, antes mesmo do lançamento oficial: 4 de Abril (19h00) no El Corte Inglés, Lisboa. Laborinho Lúcio (ex-ministro da Justiça) apresenta esta história que tem por cenário o Douro, um assassino à solta e um tempo de abertura à ciência e ao conhecimento. O livro é fruto do muito material reunido para a série televisiva ‘A Ferreirinha’.
O PRIMEIRO, O MARQUÊS E AS PULGAS
Francisco Moita Flores tem quase concluída uma opereta, um trabalho que será a sua primeira grande produção para teatro. “Foi--me encomendada pelo Eduardo Viana. Chama-se ‘O Primeiro e o Marquês’ e conta a história de um primeiro-ministro imaginário que se vê obrigado a uma grande acção devido a uma praga de pulgas e que tem como parceiro o Marquês de Pombal”, adiantou. “O Rui Veloso e o João Gil fizeram a música e deverá estrear em Junho ou Julho”, acrescentou.
PERFIL
Nasceu em Moura em 1953. Tem um bacharelato em Biologia, duas licenciaturas (História e Sociologia), especializou-se em criminologia em Lausanne e na Sorbonne e tem um doutoramento (em História). Em 1977 entrou para a Polícia Judiciária e as experiências aí vividas inspiraram-lhe os primeiros avanços literários. É escritor, ensaísta e guionista. Actualmente é presidente da Câmara de Santarém. É casado com a actriz Filomena Gonçalves. Tem três filhos e três netos.
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