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Correio da Manhã

Cultura
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Espanha reclama tesouro milionário

Que as moedas encontradas eram muitas – mais de 500 mil em ouro e prata – já se sabia. Inicialmente as autoridades espanholas nem sequer se preocuparam em reclamar o achado subaquático que a companhia norte-americana de exploração marítima Odyssey localizou na costa da Florida e anunciou ao Mundo no passado dia 18 de Maio.
4 de Junho de 2007 às 00:00
Greg Stemm, co-fundador da Odyssey, e o director do projecto Tom Dettweiller
Greg Stemm, co-fundador da Odyssey, e o director do projecto Tom Dettweiller FOTO: Reuters
Mas o caso mudou de figura quando os arqueólogos concluíram tratar-se da descoberta mais valiosa realizada até ao momento no fundo do mar: o tesouro está avaliado em 370 milhões de euros, o que acordou os espanhóis. O governo do país vizinho interpôs um processo à empresa americana para reclamar a posse do tesouro – o navio, ou o que resta dele, e a respectiva carga – mas a resposta dos americanos não se fez esperar. Não é certo e seguro que se trate de um navio espanhol e as notícias publicadas nos últimos dias são completamente falsas, garante a empresa.
Se inicialmente se disse que o barco afundado na Florida – e cuja localização exacta nunca foi revelada para evitar possíveis saques – era o ‘Santa Margarida’, os americanos garantem agora ser também possível que se trate do navio mercante britânico ‘HMS Sussex’, afundado nas costas de Gibraltar em 1694.
No caso de Espanha, ou outro país, conseguir provar em tribunal os seus direitos sobre o tesouros, a Odyssey já fez saber que vai recorrer.
FORTUNAS NO FUNDO DO MAR
Se os espanhóis recuperassem todos os tesouros que perderam durante os 400 anos em que foram reis e senhores dos mares ensacariam nada menos do que 116 mil milhões de euros, número superior ao Produto Interno Bruto (PIB) irlandês, por exemplo. No entanto, não há razão para que fiquem demasiado entusiasmados com a notícia: é que o Tribunal do Almirantado, que regulamenta as questões internacionais que têm a ver com o mar e os seus tesouros, atribui sempre a maioria dos dividendos – até 90 por cento – às empresas que os descobrem. É uma forma de estimular uma actividade extremamente morosa, arriscada e com custos elevadíssimos para aqueles que a ela se dedicam.
SAIBA MAIS
- 1907 foi o ano em que Alfred Merlin fundou a arqueologia marítima, inspirado pelos achados dos pescadores no fundo do mar.
- 520 mil milhões de euros é o valor do maior tesouro marítimo de sempre: o galeão ‘Santa Rosa’, ainda não recuperado na costa do Brasil.
GABINETE DE CRISE
Para tentar resolver a questão o ministro espanhol da Cultura tem-se reunido com os da Defesa, do Interior e do Exterior e Fomento.
DESCONTENTES
Os arqueólogos estão descontentes: só quando se trata de dinheiro é que os governantes se lembram da arqueologia.
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