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Correio da Manhã

Cultura
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Esta banda não é um sonho

Esta noite, no Santiago Alquimista (Lisboa), os Donna Maria apresentam ‘Tudo é Para Sempre...’, um disco que promove o casamento do fado com a electrónica e foi eleito um dos mais belos álbuns de 2004.
24 de Março de 2005 às 00:00
Esta banda não é um sonho
Esta banda não é um sonho FOTO: Sérgio Lemos
Correio da Manhã – “Tudo é Para Sempre...” é o vosso disco de estreia e foi considerado um dos melhores álbuns de 2004. É uma grande responsabilidade?
Ricardo Santos – É. Tanto perante o público como perante as pessoas que escreveram sobre o nosso trabalho. Se fizémos o disco do ano ou não... esperemos que sim! Agradámos a muita gente e os nossos concertos estão sempre cheios, mas a banda ainda tem muito trabalho por fazer.
– Como é que reuniram Paulo de Carvalho, Gil do Carmo, Vitorino, entre outros, como convidados?
Marisa Pint – Funcionamos de forma diferente das outras bandas. Temos dois originais nossos no álbum (‘Sem Marcha Atrás’ e ‘Sempre para Sempre’), mas as restantes músicas foram-nos ‘oferecidas’. Pedimos que para comporem para nós.
Miguel Majer – Juntámos muita gente a pensar que todos tinham algo em comum. A ideia foi encontrar um fio condutor e uma abordagem coerente. Não fizémos músicas para ninguém em especial, mas procurámos as pessoas certas para cada canção. Por exemplo, só depois do tema ‘Quase Perfeito’ estar pronto é que convidámos o Paulo de Carvalho, porque pareceu-nos que a voz dele com a da Marisa iria resultar muito bem.
– Como vai ser o concerto desta noite no Santiago Alquimista?
M.M. – Vamos apresentar o disco todo e teremos apenas o Gil do Carmo como convidado. Isso é muito importante, porque temos de ocupar o palco inteiro e provar que o disco, embora tenha nos convidados uma mais-valia, é capaz de sobreviver sozinho.
– A vossa música é muito portuguesa mas também muito actual. Como definem o projecto?
M.M. – Já nos chamaram muita coisa, desde ‘fado electrónico’, passando por ‘lado sul da música’ ou ‘pop luso-urbano’. Somos apenas um projecto de pop português. Se calhar, a nossa música não encaixa naquilo que habitualmente se chama pop português, mas dá-se esse rótulo a muita música que de português só tem mesmo a língua. No nosso caso, mesmo que retirássemos a voz continuava a ser pop português.
– Antes faziam apenas versões...
M.M. – Há cinco anos tínhamos uma banda de versões (XLFemme), que misturava electrónica e música portuguesa. Mas, entretanto, tivemos vontade de compor originais e assim surgiram os Donna Maria. Tocávamos às segundas-feiras no Bar Templários (Lisboa) e como tínhamos a casa sempre cheia acabámos por ter vontade de registar as músicas em disco. Não somos uma banda que surgiu simplesmente para fazer um disco.
– Foi uma caminhada difícil?
M.P. – Foi esforçada. Mas todas as coisas na vida o são. Foi preciso muita determinação, mas esta banda não é um sonho, é um objectivo!
– O que é que falta para correr ainda melhor?
M.M. – Aquilo que falta aos Donna Maria falta a todos os artistas portugueses: mais contacto com o público, que gosta e quer mais música portuguesa. Mas há uma distância enorme entre o que vende, o que passa nas rádios e aquilo que o público quer! Artistas, rádios, jornalista, editoras deviam ter mais consciência de que fazemos todos parte do mesmo meio. Se um prejudicar o outro, todos ficam a perder!
PERFIL
Os Donna Maria são um trio da grande Lisboa formado no ano 2000 por Marisa Pint (voz), Miguel Majer (bateria e programações) e Ricardo Santos (teclados e samplers).
O projecto tem uma alma bem portuguesa (bem patente no recurso a instrumentos tradicionais, como a guitarra portuguesa e o acordeão) mas também fortes influências da música electrónica.
O primeiro fruto desta mistura foi ‘Tudo É para Sempre...’ (2004), álbum que Vitorino descreveu como “um disco ousado, que usa uma linguagem de risco e que vale a pena” e que recebeu ainda elogios de nomes como Pedro Abrunhosa, Carlos do Carmo ou do brasileiro Pedro Luís (Ney Matogrosso).
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