Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
2

ESTE DISCO É MAIS ÉPICO

Os germânicos Rammstein estão prestes a voltar a incendiar as plateias. O pretexto é o um novo álbum, ‘Reise, Reise’, que hoje chega ao mercado nacional e se revela mais pop do que os anteriores. A conferir ao vivo, a 9 de Novembro próximo, no Pavilhão Atlântico, em Lisboa.
27 de Setembro de 2004 às 00:00
ESTE DISCO É MAIS ÉPICO
ESTE DISCO É MAIS ÉPICO FOTO: d.r.
Correio da Manhã - 'Mein Teil', primeiro single do novo álbum 'Reise Reise', inspira-se numa história verídica que abalou o Mundo: um homem que permitiu que outro comesse os seus órgãos genitais. Como decidiram fazer deste caso uma canção?
Oliver Riedel - Quando estávamos a preparar o novo disco, o assunto era muito falado na Imprensa. O nosso vocalista trazia todos os dias os jornais que revelavam pormenores incríveis e perversos. Não conseguimos perceber como é que uma pessoa pode voluntariar-se para ser comida por outra e isso acabou por fazer com que nos questionássemos sobre a natureza humana. O caso acabou por ser incluído na canção de uma forma engraçada. O refrão é "tu és o que comes!"... Talvez os actos de canibalismo sejam uma procura de nós próprios.
- À primeira audição, este álbum parece ser menos austero e rígido do que os anteriores. A que se deve?
- É mais aberto do que os anteriores e também mais épico, com arranjos mais melódicos e, inclusive, com a introdução de coros. Porventura, haverá outras características que vamos descobrir à medida que o tocarmos ao vivo, porque muitas vezes é o contacto com os fãs que nos permite descobrir outras 'nuances' nas canções.
- Em 'America' são referidos alguns símbolos típicos da globalização, como a Coca-Cola. Pretende ser uma crítica ao actual estado do Mundo?
- Quando falamos de globalização, na verdade estamos a falar de uma 'americanização'. É uma enorme arrogância querer decidir o futuro de outras culturas. Mas há uma certa relação de amor e ódio entre os Rammstein e a América... porque ela também nos deu outras coisas que gostamos muito, como a Coca-cola e o Wonderbra.
- Estão prestes a completar dez anos de carreira. Como vêem o vosso percurso?
- Foram dez anos bem passados. Começámos mais por diversão do que por qualquer outra razão, mas depois a carreira foi assumindo proporções mais sérias. Este álbum define bem a nossa situação actual, porque estamos a olhar para o futuro com muita confiança, ao contrário de 'Mutter', por exemplo, que saiu numa altura muito complicada para nós.
- A música industrial é uma sonoridade para além das modas?
- Enquanto estilo penso que irá perdurar sempre, com uma base de fãs que, embora limitada, é muito fiel. No entanto, há períodos de maior e menor vitalidade e, por consequência, de popularidade. Independentemente de modas, vamos fazer sempre esta música. É a forma como sabemos e gostamos de tocar.
- Como é o vosso processo de composição?
- Basicamente funcionamos na base das sugestões. Alguém traz uma ideia que depois é trabalhada por toda a banda até surgir uma pequena composição. Depois, essas malhas sonoras vão sendo trabalhadas até termos um período rítmico ou melódico e assim sucessivamente até surgir uma canção. A seguir, o Til Lindemann traz umas quantas dezenas de poemas que afixa na parede para serem progressivamente incorporados nas músicas.
- Sentem-se mais confortáveis em estúdio ou em palco?
- Sendo o palco uma consequência do trabalho de estúdio, ambos têm a sua essência própria e são igualmente interessantes. Geralmente, gostamos muito de estar em estúdio, mas quando acabamos de gravar um álbum, já estamos tão fartos de estar fechados que só nos apetece ir directamente para a estrada.
- O fogo é um elemento recorrente nos vossos concertos. Porque é que vos atrai tanto?
- Dado que cantamos em alemão, uma língua que não é perceptível para uma boa fatia dos nossos fãs, o fogo, enquanto linguagem universal, permite-nos comunicar com toda a gente de forma imediata. Gostamos sobretudo dos momentos em que sentimos que o calor dos lança-chamas invade a plateia e põe os olhos do público a brilhar.
- Têm algum sonho 'secreto' por concretizar?
- Actuar em palco num filme do Quentin Tarantino.
PERFIL
Formados por Clorenz Flake (teclas), Oliver Riedel (baixo), Paul Landers e Richard Kruspe (guitarras) Christoph Schneider (bateria) e Til Lindemann (voz), os Rammstein juntaram-se em 1994 adoptando o nome - com mais um 'm' - do local onde, durante um festival aéreo, morreram 80 pessoas.
Estrearam-se com o álbum 'Herzeleid', ao qual se seguiu 'Sehnsucht'. 'Heirate Mich' e 'Rammstein' foram incluídos pelo realizador David Lynch na banda sonora do filme 'Estrada Perdida' (1997) e 'Du Hast' valeu-lhes a nomeação para o Grammy na categoria de prestação heavy metal. 'Live Aus Berlin' e 'Mutter' são os antecessores de 'Reise, Reise'.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)