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Correio da Manhã

Cultura
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Este show emociona muito, faz pensar e toca a alma

Olívia Byington, cantora brasileira, volta a Lisboa, de 14 a 24 de Fevereiro, para apresentar ‘A Vida é Perto’, um espectáculo intimista e original que conquistou as melhores críticas no Brasil. Cantora e violão, no Teatro Mundial.
29 de Janeiro de 2008 às 00:30
Correio da Manhã – Como é o espectáculo ‘A Vida é Perto?
Olívia Byington – Faço o show todo sozinha: conto histórias, leio todos os textos, toco e canto. Tudo sozinha.
– Como delineou este show?
– No ano passado, estava a viver um momento de muita intensidade: precisava de fazer alguma coisa com toda a emoção que estava a viver. Passei muito tempo a viajar, entre Portugal e Brasil, e até pelo Mundo fora, e ouvi uma frase dita pelo meu amigo, Millôr Fernandes – o ‘cara’ mais inteligente deste País – ‘A Vida é Perto’. Essa frase caiu-me como uma luva nesse momento e traduzia essa busca de proximidade com o meu público que eu tanto precisava.
– É então um espectáculo muito diferente de tudo o que fez até agora...
– E também muito diferente de tudo o que vi até hoje. É de uma originalidade muito grande: o público entra no teatro (Mundial), como se estivesse entrando na sala de minha casa. Passam pelo meu camarim, onde estão expostas capas de discos, fotografias dos meus filhos, momentos importantes da minha vida, e entram para a sala onde eu já estou com o meu violão, o meu computador, os meus livros, os meus tapetes... E lá eu recebo as pessoas.
– É intimista então...
– É como se estivesse em casa. Aí acabo de montar o cenário, acendo as velas e começo a cantar e começam também os textos, momentos que vivi, pessoas que conheci, momentos da minha carreira.
– Originais?
Sim, todos meus e nunca apresentados. As pessoas ficam sem saber: ‘Será que está a falar connosco, será improviso?’ É um mistério... e uma conversa.
– Expõe-se mais neste espectáculo, não só como cantora mas como pessoa...
– Claro. O que me emociona é o contacto, a proximidade e a forma como me revelo.
– E a Olívia, emociona-se em palco?
– Sempre, muito. Digo coisas muito lindas, são letras muito bonitas e canto-as com muita emoção.
– Pode dizer-se que este é o seu trabalho mais pessoal?
– É o trabalho mais perfeccionista, pessoal e com ele cheguei a uma conclusão.
– Qual?
– Apesar de os melhores directores do Brasil serem os meus melhores amigos, queria prescindir de tudo, sem contar com ninguém. Não deixei ninguém ver o show antes da estreia. Só o meu filho (Gregório), que é actor, é que viu antes. Este show emociona muito, faz pensar e toca a alma. As pessoas saem dali com alguma transformação.
– Teve críticas muito positivas aí no Brasil...
– Foram as frases mais lindas! Estive em sete cidades, em São Paulo foi um êxito estrondoso. Fiz 75 shows em seis meses, foi uma loucura.
– O que espera de Lisboa?
– Fiquei impressionada com a quantidade de portugueses que veio assistir ao espectáculo aqui no Rio. Ontem mesmo, na fila, estavam seis...
– Este disco também é muito português (vários temas foram escritos pelo poeta Tiago Torres da Silva com arranjos de Pedro Jóia)...
– Pois é, tem muita coisa falando dos próprios portugueses. Adoraria que em Portugal entendessem e sentissem o mesmo que os brasileiros. E sendo um trabalho metade português, isso completaria demais...
UM PERCURSO FIRMADO E CONFIRMADO NA MBP
Olívia Byington nasceu no Rio de Janeiro há 49 anos. Terceira de quatro filhas, é irmã da jornalista Elisa, da directora do Hospital do Câncer do Rio de Janeiro, Rita, e da conhecida actriz Bianca. Com 10 discos editados, ‘Olívia Byington’ (que também dá nome ao disco) começou a sua carreira na década de 70, na banda de rock Antena Colectiva, sendo logo considerada, por um dos maiores críticos, como a melhor cantora da sua geração. Hoje é um nome consagrado da MPB (Música Popular Brasileira) e já partilhou o palco (e discos) com Tom Jobim, Chico Buarque, Caetano Veloso, Maria Bethânia, Pablo Milanês, entre muitos outros. É mãe de quatro filhos: João, de 26 anos, Gregório, 21, Bárbara, 18 e Theodora, 13.
O QUE DIZ A CRÍTICA NO BRASIL
- “Nada ali desvia o público do essencial. Olívia Byington encanta o público com simplicidade e capricho em Ipanema” Gustavo Autran, ‘Veja Rio’
- “O show da Olívia é um dos melhores, mais simples, íntimos e sofisticados shows que vi nos últimos tempos. Ela reinventou o pocket show”. Sérgio Augusto, ‘Estado de São Paulo’
- “Simplicidade, sofisticação e repertório preciso” João Pimentel, ‘O Globo’
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