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Correio da Manhã

Cultura
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Estreia cénica da ópera 'O Crepúsculo do Crítico', de Miguel Faria

A estreia encenada da ópera 'O Crepúsculo do Crítico', de Miguel Faria, realiza-se este sábado à noite no Coliseu do Porto, sob a direcção musical de José Ferreira Lobo, com a Orquestra do Norte.
13 de Novembro de 2012 às 14:43
Coliseu do Porto recebe vários espectáculos este fim-de-semana
Coliseu do Porto recebe vários espectáculos este fim-de-semana FOTO: D.R.

Esta ópera satírica em um acto é protagonizada pelo barítono Pedro Telles no papel de 'crítico' e pela soprano Ana Maria Pinto, como 'editora' e no de 'Diva Revolucionária' Anne Marie Brunilda Pintarelli, contando ainda com as participações do jornalista Bernardo Mariano, no seu próprio papel, Joana David como "maestrina", e Filomena Santos em 'Laurinda, técnica de limpeza', anunciou a orquestra.

A ópera foi estreada na versão de concerto em Abril de 2010 em Guimarães, também sob a direcção de Ferreira Lobo. O compositor Miguel Faria é um alter-ego do docente universitário e crítico musical Henrique Silveira, que o revelou à Lusa esta terça-feira.

"Assino a encenação da ópera, mas não dava para continuar a esconder quem estava por detrás do Miguel Faria", disse Henrique Silveira, mantendo-se o segredo quanto ao libretista que dá pelo nome de Pompeu Duriense.

Pompeu Duriense é "o pseudónimo de um conhecido melómano e intelectual nortenho, sobrinho-trineto do famoso crítico Sebastião Sanhudo, que fazia críticas em banda desenhada no periódico 'O Sorvete' nas últimas décadas do século XIX", segundo a biografia divulgada a quando da estreia concertante.

Em 2010, o texto da organização referia que compositor e libretista "estabeleceram um pacto artístico" num castelo em Luca, na Itália, "tendo como companhia Gustav Khun".

À agência Lusa Henrique Silveira escusou-se a dar outras pistas quanto à identidade do libretista, mas confirmou a biografia imaginária do seu alter-ego, Miguel Faria.

"Miguel Faria, natural de Trás-os-Montes, é um compositor neo-pós-pós-moderno e hipo-sátiro que nas longas horas que passava entre penedos e fragas dedicava-se à meditação e a produzir sons e composições experimentais com materiais de origem vegetal, mineral e animal", disse.

O compositor "fez o 12.º ano num curso nocturno, aprendeu línguas e técnicas de composição em cursos por correspondência e no formato 'pré e-learning' e passava as noites em claro a ler e a analisar partituras".

A ópera, contou Henrique Silveira, é sobre "um crítico polivalente e narcisista, obcecado com a sua actividade, que vê como uma espécie de missão, vive angustiado com tantas solicitações e com o estado lastimável da crítica, da cultura e das artes".

"No seu escritório caótico acumulam-se livros, discos e DVD, que um dia lhe caem em cima da cabeça provocando-lhe um ataque de amnésia. Sem saber quem é, nem o que faz, começa a descurar as suas obrigações. A editora do jornal entra em fúria e pede ao director para o despromover, passando de crítico principal a estafeta", continuou.

Esta "nova actividade devolve-lhe uma certa alegria e ligeireza e transforma-se num simplório que cantarola música quase pimba enquanto acelera na sua moto pela cidade. Voltará algum dia a recordar-se do seu passado de 'pluricrítico-intelectual', cultor da arte de "dizer mal em espiral?", disse.

A segunda parte da noite é preenchida com a ópera de Giacomo Puccini, 'Gianni Achicchi', com encenação de Eleonora Paterniti, também dirigida por Ferreira Lobo.

O elenco desta ópera é constituído por Felice Tenneriello, Deborah Leonetti, Alessia Sparacio, Giacomo Patti, Samuel Vieira, Sofia de Castro, Bruno Cirne, João Oliveira, Rui Silva, Nuno Dias, Alexandra Calado, Pedro Telles, Jorge Castro, Tomé Azevedo e Tiago de Sá (Barítono).

Esta é a única ópera cómica de Puccini que se baseia no Canto XXX do 'Inferno' da 'Divina Comédia' de Dante Aligheri, tendo sido estreada em 1918 na Metropolitan Opera House em Nova Iorque.

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