Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
1

Évora 20 anos depois

Agrande aposta para os próximos 20 anos é Évora tornar-se um pólo urbano de referência, tirando partido da localização e da universidade, mas também da transferência de novas tecnologias capazes de conseguir o que nunca conseguimos: uma cidade onde a inovação e a tecnologia gerasse emprego e riqueza.” Palavras do autarca, José Ernesto de Oliveira, ao CM, ontem, dia de festa pelos 20 anos da cidade como Património da Humanidade.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
Évora 20 anos depois
Évora 20 anos depois FOTO: Nuno Veiga, Lusa
A 25 de Novembro de 1986, Évora recebia da UNESCO o título de Cidade Património da Humanidade, que reconhecia assim, aos olhos do País e do Mundo, a riqueza do seu centro histórico.
“É difícil eleger o monumento ou espaço museológico mais visitado da cidade, na medida em que é todo o centro histórico que sustenta e atrai os visitantes: o Templo de Diana é importante, mas também a Capela dos Ossos e a Sé, a Igreja de S. Francisco e a Praça do Giraldo. E, perante isto, contabilizar é uma impossibilidade”, segundo o autarca.
Com efeito, um dos sectores mais beneficiados com o estatuto da cidade tem sido o turismo, a maior fonte de riqueza da região. E, contudo, “o desenvolvimento não pode ser centrado apenas no turismo”, afirmou o edil, defendendo a diversidade: “A consolidação da estrutura urbana vocacionada para a fixação da população, para o investimento e para o emprego.”
Enquanto o futuro não chega, o presente mostra-nos o perfil do visitante de Évora como um adepto do turismo cultural: classe média, formação académica média ou superior e elevado poder de compra.
Por resolver permance a questão de fazer do visitante de passagem um hóspede com tempo. “O que temos a fazer é tornar Évora um destino turístico, e não tanto num local de passagem, para que fiquem mais dias e deixem mais-valias nos estabelecimentos hoteleiros, de restauração e comerciais”, explicou.
Dito isto, os números falam por si pois, nos últimos 20 anos, o registo de hóspedes praticamente triplicou, de 112 mil para 342 mil.
Por último, diga-se que o Verão continua a ser o ponto alto das ‘peregrinações’ à cidade, com portugueses e espanhóis na linha da frente, seguidos de perto por outros povos europeus – alemães, franceses, holandeses, italianos e ingleses.
"LOCOMOTIVA DO ALENTEJO"
Quem acompanhou a cidade nestes últimos 20 anos é obrigado a concluir que as coisas mudaram, e, tudo indica, para melhor, fruto da maior projecção da cidade: interna e externa. O centro histórico, na origem do título que ontem levou a festa à cidade (com destaque para a reinauguração do Convento dos Remédios), foi o grande beneficiário da mudança, mas não o único. E, em articulação com turismo de qualidade, está em curso a maximização da localização estratégica da região: um parque industrial, um espaço rural centrado no golfe e no convívio com a natureza e ainda na indústria aeronáutica.
O aeródromo municipal, recorde-se, começou por ter utilização agrícola e lúdica mas, em 1998, arrancou o investimento na formação de pilotos e na construção de aeronaves. “Este título foi o detonador de um processo de desenvolvimento que desencadeou movimentos de criação em toda região mas foi o concelho de Évora o que mais beneficiou deste surto de iniciativas. Évora tornou-se a locomotiva do turismo no Alentejo”, segundo Andrade Santos, presidente da região de turismo local.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)