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Correio da Manhã

Cultura
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Ex-autarca ameaça tirar museu a Elvas

O ex-presidente da Câmara Municipal de Elvas e proprietário do Museu da Fotografia, João Carpinteiro, ameaça levar de Elvas todo o espólio fotográfico, até final do corrente ano, para outra localidade portuguesa ou até para Espanha. A introdução do estatuto de municipal ao museu “à revelia” do proprietário e a “falta de manutenção” do espaço, propriedade do município, são apenas duas das razões apontadas por João Carpinteiro para equacionar a deslocalização do museu.
26 de Julho de 2006 às 00:00
Ex-autarca ameaça tirar museu a Elvas
Ex-autarca ameaça tirar museu a Elvas FOTO: Alexandre M. Silva
A insatisfação do ex-autarca levou entretanto alguns congéneres espanhóis e portugueses a avançarem com propostas para a instalação do museu em cidades como Madrid, Cáceres, Mérida e Badajoz (Espanha), assim como em Tavira, Silves, Lagos e Lisboa.
EXAUSTO
“Prefiro manter o museu em Elvas que é a minha terra. Mas a falta de apoio é de tal ordem que desde a inauguração do museu, em 2003, não foi colocada pela Câmara uma única placa em toda a cidade a indicar o local da exposição”, disse João Carpinteiro ao CM.
O ex-autarca, que diz ter chegado “à exaustão”, acrescentou ainda que a autarquia não se digna sequer a arranjar os aparelhos de ar condicionado e o quadro eléctrico do museu, instalado no antigo Cinema São Mateus. “Está sempre a disparar. Por 500 euros não é comprada uma lâmpada para o projector.”
João Carpinteiro diz não ter dinheiro para “aguentar o barco” e considera que o acordo entre a autarquia e a Fundação João Carpinteiro, detentora de todo o espólio, terá de ser revisto.
“Recebemos da autarquia 19 mil euros em três anos e vivemos de donativos. Se não atribuíram o estatuto municipal ao museu de Arte Contemporânea, o Museu de Fotografia também não o deve ter, de modo a podermos encontrar outras soluções financeiras. Vender está fora de hipótese, apesar de um coleccionador já ter oferecido um milhão de euros pelo espólio do museu, que tem apenas um terço dos objectos ligados à fotografia na posse da fundação”, disse João Carpinteiro.
Contactados pelo CM, os responsáveis da Câmara Municipal de Elvas não quiseram prestar declarações.
TREZE MIL VISITAS
Em quase três anos, o Museu recebeu 13 mil pessoas, entre portugueses, espanhóis, brasileiros, japoneses e argentinos.
“As pessoas não dão com o museu porque não há sinalética. Todos os visitantes têm vindo ao museu porque temos sempre exposições temporárias e outras actividades culturais que animam e dão vida ao espaço”, acrescentou João Carpinteiro, salientado que muita gente visitou “o museu gratuitamente” e outras “pagaram apenas um euro”.
Constituído por salas de exposição, auditório, biblioteca e laboratório, o museu integra uma valiosa colecção de câmaras fotográficas desde 1860, bem como diverso material ligado à actividade, brinquedos fotográficos e um banco de imagens com 2750 fotografias do concelho de Elvas.
PERFIL
João Manuel Valente Pereira Carpinteiro, 62 anos, casado, natural de Elvas, começou a interessar-se pela fotografia quando tinha apenas dez anos. Em 1969, comprou o primeiro material fotográfico para a sua colecção, que manteve em perfeitas condições numa cave da sua habitação.
Depois de ter desempenhado vários cargos de autarca, entre os quais o de presidente da Câmara Municipal de Elvas durante dois mandatos – entre 1985 e 1993 – criou a Fundação João Carpinteiro, em 1998, detentora de todo o espólio fotográfico. Em Novembro de 2003 foi inaugurado o Museu da Fotografia.
Apaixonado pelo coleccionismo, João Carpinteiro tem ainda uma colecção de 300 presépios e cerca de cinco mil porta-chaves.
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