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Correio da Manhã

Cultura
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Falta de apoios força Cornucópia a encerrar

Fundador da companhia lisboeta anuncia paragem na atividade ao fim de 43 anos de espetáculos.
Duarte Faria 17 de Dezembro de 2016 às 13:27
Luís Miguel Cintra abandonou os palcos no fim de 2015 devido a doença de Parkinson. Agora, a companhia que fundou em 1973 vai fechar as portas
Luís Miguel Cintra abandonou os palcos no fim de 2015 devido a doença de Parkinson. Agora, a companhia que fundou em 1973 vai fechar as portas FOTO: João Miguel Rodrigues
A Cornucópia vai fechar porque não há dinheiro para continuarmos a ser aquilo que fomos nos últimos 43 anos." É assim que Luís Miguel Cintra, que em 1973 fundou, com Jorge Silva Melo, o Teatro da Cornucópia, em Lisboa, justifica o fim da companhia, uma das maiores referências das artes de palco em Portugal.

O último espetáculo está marcado para este sábado, às 16h00: um recital, de entrada gratuita, a partir de textos do poeta francês Guillaume Apollinaire, com a participação de atores e músicos que têm trabalhado com o teatro.

O anúncio da extinção da Cornucópia foi feito ontem e apanhou de surpresa o meio cultural. O Ministério da Cultura - que este ano, através da Direção-Geral das Artes, apoiou a companhia de Luís Miguel Cintra com 309,6 mil euros (a Cornucópia já chegou a receber 600 mil euros em 2006) - lamentou esta decisão.

A tutela "manifestou disponibilidade em colaborar para que este encerramento se concretizasse da melhor forma, por profundo reconhecimento e respeito pelo património histórico - tangível e intangível - que a companhia deixa para o teatro português".

O Governo garantiu ainda que assegurará "o aluguer do edifício por um período de mais um ano, de modo a que o processo de encerramento seja realizado nas devidas condições".

De resto, o fim da Cornucópia levou os grupos parlamentares do CDS-PP e do PCP a anunciarem a apresentação de requerimentos para questionar o Ministério da Cultura. "Queremos saber quais as medidas tomadas para impedir que isto acontecesse e se se trata de uma situação irreversível", disse Teresa Caeiro, do CDS-PP, lembrando que o Governo anunciou a distribuição de mais três milhões de euros para apoio à criação artística.

Para a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA), "esta decisão representa uma pesada e grave perda para a vida cultural portuguesa".
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