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Festa até ao fim

O rock deu o tom para o encerramento da nona edição do Festival Sudoeste, que ficará para a história como uma das mais participadas de sempre, para gaúdio dos organizadores e patrocinadores.

09 de agosto de 2005 às 00:00

Dinosaur Jr. e Korn (Palco TMN), e Wraygunn, The (International) Noise Conspiracy (TINC), e The Kills, no Planeta Sudoeste estiveram em destaque, numa jornada que contrariou até a tendência para o esvaziamento, tão habitual no último dia do festival. No domingo, porém, foi o contrário. O Sudoeste 2005 teve festa até ao final – com cerca de 40 mil no recinto – e a desmobilização só aconteceu porque... havia que fechar portas, já o sol raiava.

KORN MANCOS

Atracção principal da derradeira noite, os Korn estiveram muito abaixo daquilo que já mostraram em anteriores visitas. Ainda assim podem orgulhar-se de ter sido quem mais poeira levantou na plateia em todo o festival. De tal forma que, a espaços, nem era possível ver o palco.

No entanto, a recente ‘conversão’ (e consequente abandono do grupo) de um dos guitarristas deixou os Korn como que ‘mancos’. Com um substituto escondido junto às jaulas repletas de fãs, no fundo de palco, os Korn só de quando em vez conseguiram soar... à Korn, apesar do alinhamento ‘best of’. Perdeu--se, sobretudo, a harmonia da dupla de guitarras, já que o reforço (provisório?) não conseguiu dar conta do recado. Mas houve, de facto, temas que ‘pesaram’: ‘Adidas’, ‘I Did My Time’, ‘Somebody Someone’ e a passagem por ‘One’ (Metallica). O mesmo não se pode dizer da versão de ‘Another Brick In The Wall’ dos Pink Floyd. Apesar de tudo, o grupo gostou da resposta lusa (Johnatan Davis recolheu mesmo um bandeira nacional) e prometeu um regresso para breve.

WRAYGUNN EXCITANTES

As honras de despedida do Sudoeste 2005 couberam aos Basement Jaxx, que deram um espectáculo vibrante e temperado com muita música negra e latina. Uma muito agradável surpresa que conquistou adeptos e levou a dança até à bem recheada plateia. E que vozes as daquelas senhoras negras...

No palco Planeta Sudoeste, o destaque da jornada vai para os Wraygunn de Paulo Furtado, cada vez mais competentes e excitantes na destilação blues-rock-punk. A versão de ‘My Generation’ (The Who), com o cúmplice António Furtado, foi um dos temas mais fortes do ‘set’.

Excelente montra ao longo de todo o festival, o Planeta Sudoeste registou ainda as boas prestações dos suecos TINC (punk-rock-Che-Guevara) e dos The Kills. Não muito distante, no ‘perfumado’ palco Positive Vibes, a vibração foi uma constante, com destaque para os One Love Family.

LIXO DÁ LUGAR A PINHEIROS

O Sudoeste 2005 deu origem à plantação de 500 pinheiros, numa zona a sul do recinto. A iniciativa teve o apoio da TMN, que se estreou como patrocinadora oficial do festival. E com bons resultados, segundo Teresa Vilar, responsável de comunicação institucional da empresa. O lixo recolhido pelos espectadores, em troca de fichas que davam direito ao pinheiro (e não só), atingiu os 200 mil metros cúbicos, tendo sido trocadas cerca de 40 mil fichas. Segundo aquela responsável, o ambiente foi, de facto, uma das preocupações da TMN, “já que o Sudoeste acontece numa zona protegida”. Daí, também, a instalação de vários Ecopontos na Herdade da Casa Branca, para a separação de lixos. A TMN disponibilizou ainda 500 carregadores de baterias, consultas de tarot e autocarros para a praia da Zambujeira do Mar, que transportaram cerca de 13 mil pessoas.

'MOTIVO DE ORGULHO'

A nona edição do Sudoeste foi, na verdade, uma das melhores de sempre do “maior festival português” e, na hora dos balanços, Álvaro Covões, da empresa produtora, era um homem realizado. “É um motivo de orgulho”, disse ao CM. É que mesmo a nova fórmula – com três palcos a funcionar em simultâneo – agradou à maioria. “É a prova de que acertámos. Sabíamos que era um risco que íamos correr, porque podíamos ter palcos quase vazios, mas não foi isso que se verificou”, acrescentou, sublinhando ainda que o novo conceito (comum no resto da Europa) “permite que as pessoas não se aborreçam”.

Escusando-se a avançar números de afluência, aquele responsável da Música no Coração adiantou apenas “que foram algumas dezenas de milhar” (pelo menos 50 mil, avançou o CM) e que “foram batidos recordes de consumos de água e refrigerantes”. O calor estimulou também o consumo de cerveja e no sábado – o dia mais longo do festival – foram sorvidos mais de 30 mil litros da ‘loira’.

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