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Correio da Manhã

Cultura
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Festival fecha em alta

A segunda edição do festival Live in Alviela encerrou em clara ascensão depois de um arranque a meio gás. A falta de público no primeiro dia foi compensada durante o fim-de-semana, com afluências superiores a seis mil pessoas nesses dois dias, o que trouxe outra energia ao recinto montado na bonita paisagem do rio Alviela, junto a Vaqueiros, Santarém.
28 de Agosto de 2007 às 00:00
Coube aos Da Weasel encerrar a edição 2007 do evento
Coube aos Da Weasel encerrar a edição 2007 do evento FOTO: João Nuno Pepino
Em jeito de balanço, pode dizer-se que o evento tem pernas para andar e pode mesmo, no futuro, figurar no roteiro dos principais festivais de Verão portugueses. A organização já explicou que esta foi uma espécie de edição embrionária, virada para o lançamento do festival e do conceito ecológico que o motiva e que vai investir em 2008.
No domingo à noite, os Da Weasel foram os últimos a subir ao palco principal e não desiludiram. A banda de Pacman, sempre muito enérgico e a puxar pelo público, trouxe na bagagem sobretudo temas dos dois últimos álbuns de originais, ‘Amor, Escárnio e Maldizer’ e ‘Re-Definições’, com o público a ajudar no refrão de ‘Dialectos de Ternura’, ‘Re-tratamento’ e restantes temas.
Antes, e à falta da “banda surpresa” anunciada, coube aos 4Taste iniciar a actividade musical no palco principal. Sobre a banda que saiu da fábrica ‘Morangos com Açúcar’, pode dizer-se que os seus elementos se divertem bastante em palco, com o ritmo pop acelerado das músicas a contagiar o público muito jovem, sobretudo feminino. Além dos sucessos associados à série juvenil, os 4Taste tocaram versões de ‘Sol da Caparica’, dos Peste & Sida, e de ‘Chiclete’, dos Táxi, tema com mais anos de vida do que a maioria dos fãs das primeiras filas junto ao palco.
Música à parte, a monotonia não fez parte do Live in Alviela. As aldeias temáticas dispostas no recinto, com actividades para todos os gostos, foram bastante procuradas pelo público. Os visitantes despediram-se do evento já de madrugada, dançando na tenda electrónica, um dos espaços que registou maior afluência.
QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA
A aldeia do ambiente, um dos espaços centrais do Live in Alviela foi palco de um debate sobre a importância da preservação dos recursos hídricos. Mais do que a poluição, está em causa a saúde pública, conforme salientaram vários participantes na iniciativa, que juntou Francisco Moita Flores, presidente da Câmara Municipal de Santarém, e outros membros daquela autarquia, deputados eleitos pelo distrito, autarcas locais, ambientalistas e representantes do Instituto Nacional da Água (INAG), de associações de defesa do rio e dos industriais dos curtumes de Alcanena. Outra questão levantada foi o facto de a poluição impedir também a dinamização económica e o aproveitamento turístico dos espaços naturais, sendo o Alviela um excelente exemplo desta realidade.
“O balanço desta edição foi bastante positivo”: Gonçalo Terenas, responsável pela organização do festival
Correio da Manhã – Que balanço faz desta edição?
Gonçalo Terenas – Um balanço francamente positivo, a avaliar pela resposta e pelos elogios que temos recebido, que nos enchem de orgulho.
– O que correu melhor e pior?
– De uma forma geral, correu tudo pelo melhor, desde os concertos às actividades nas aldeias temáticas, passando até pela limpeza do recinto. A mensagem do festival, construída à volta do conceito da defesa da água e em especial do rio Alviela, também passou muito bem.
– O público correspondeu?
– É óbvio que queremos sempre mais público, mas o que tivemos este ano esteve dentro das expectativas. O mais difícil já está feito, que foi lançar o festival quase de raiz, criar o conceito, divulgá-lo e montá-lo.
– Já há ideias novas para a edição de 2008?
– Há já algumas a fervilhar. Posso adiantar que vamos tentar melhorar o cartaz, sem com isto querer dizer que o deste ano fosse fraco. Vamos tentar trazer bandas de dimensão internacional, o que trará certamente mais público.
DEPOIMENTOS
“ESTOU A GOSTAR BASTANTE”:Pedro Almeida, Estudante (Porto)
“Faço colecção de baquetas de bateria e já levo para casa as dos Mundo Secreto e dos Plástica. São duas recordações porreiras deste festival. Vim com um grupo de amigos e estou a gostar bastante, sobretudo do ambiente. Para o ano pensamos regressar, se houver grandes bandas que nos obriguem a vir.”
"ALEDIAS ESTÃO PORREIRAS": Sara Branco, Estudante (Amiais de Cima)
“Estou satisfeita, mas não totalmente, porque acho que o ano passado havia mais espírito de festival. Estou a gostar sobretudo da tenda electrónica e adorei a banda francesa Vaguement La Jungle. As aldeias do recinto estão porreiras, excepto a da restauração, porque é tudo comida de plástico.”
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