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Correio da Manhã

Cultura
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Ficção perde Bradbury

'Fahrenheit 451’ é o título mais famoso da sua obra e com este livro, e muitos outros da sua longa e talentosa carreira, Ray Bradbury reinventou a forma de escrever ficção científica. Anteontem, aos 91 anos, morreu em Los Angeles (EUA), o homem por detrás das páginas que, em 1953, imaginaram um mundo sem livros, culpa do poder desmesurado dos média.
7 de Junho de 2012 às 01:00
A principal obra do autor norte-americano, ‘Fahrenheit 451’, foi adaptada ao cinema por François Truffaut
A principal obra do autor norte-americano, ‘Fahrenheit 451’, foi adaptada ao cinema por François Truffaut FOTO: Reuters

A obra, visionária, viria a ser adaptada ao cinema, em 1966, por François Truffaut, em ‘Grau de Destruição’ e foi considerada uma metáfora crítica a regimes opressores e símbolo da oposição à censura. Considerado um dos maiores vultos da literatura de ficção científica e ficção especulativa, Bradbury foi sempre aplaudido pela criatividade e visão futurista. Exemplo disso mesmo é ‘Crónicas Marcianas’ (1950), outro clássico, em que Bradbury imaginou a colonização de Marte.

Além de romances, o escritor publicou contos, peças de teatro e argumentos para televisão. Apesar de ser sempre associado à ficção científica, género que ajudou a credibilizar na literatura, Bradbury recusava o rótulo: "Sou um escritor híbrido. Só escrevi um livro de ficção científica, o ‘Farhrenheit 451’. Todos os outros eram fantasia", dizia.

Apaixonado por cinema, fez, entre muitos outros trabalhos – também para televisão – uma adaptação de ‘Moby Dick’ (1956), realizada por John Huston. E somou prémios, entre os quais o National Book Award.

Sempre activo, apesar da saúde debilitada, Ray Bradbury nunca esmoreceu na paixão pelas palavras. Nos últimos anos, continuou a participar em eventos públicos ligados à literatura e à escrita. Todos os dias.

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