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Correio da Manhã

Cultura
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Filmagens na Cova da Moura

Vivem-se momentos difíceis na Cova da Moura, às portas de Lisboa (Amadora), mas as mornas, coladeras e o rap que se ouvem nas ruas são quase indiferentes ao drama que ali se filma. Apenas quando a câmara roda mais uma cena de ‘O Meu Pai’, novo filme de Joaquim Leitão, o som dos rádios é abafado: "Silêncio! Estamos a filmar".

17 de Agosto de 2008 às 00:30
Filmagens na Cova da Moura
Filmagens na Cova da Moura

Virgílio Castelo e Carlos Nunes estão a postos, à espera: ‘Acção’, grita o assistente de realização, João Fonseca. Pai e filho (na trama) são seguidos por dois jovens da Cova da Moura e entram todos em campo, na mira da câmara de José António Loureiro. Não, não há confusão: são Alcídia e Zé Manel, ‘Katia’ e ‘Mané’ na história, quem se está a filmar sob olhares curiosos dos moradores do bairro, um dos mais problemáticos de Lisboa pelo tráfico de droga, comentado por ali à boca fechada. Por estes dias, o ‘comércio’ estará de ‘férias forçadas’ para manter a discrição, tal o corrupio de gente na rodagem.

Estes são tempos duros para o protagonista, um treinador de futebol (Castelo) que caiu em desgraça por manter a ética profissional. Nesta fase do filme, Francisco Figueiredo (Castelo) e o filho Lourenço chegam ao bairro para onde têm de se mudar depois de o pai ser despedido do clube. Perdeu tudo, deixou o bairro chique do Estoril e a nova morada é a Cova da Moura.

"O Francisco bate no fundo e estas cenas são o desfecho dessa descida aos infernos... e o princípio da ascensão", esclarece o actor ao CM. Quem o vai "resgatar desse poço" é Lourenço, o jovem que lidera este novo elenco juvenil, trunfo forte e inovador no filme de cerca de 1,3 milhões de euros, produzido pela MGN de Tino Navarro. No cinema, em Abril de 2009.

LEI DO TRABALHO APERTADA

Alcídia (ao telemóvel), a ‘namorada’ do protagonista (na ficção), 15 anos, teve de dar a volta à produção para entrar no filme. ‘Enganou’ a equipa no casting, mas cedo se descobriu que, afinal, não tinha a idade regulamentar para filmar sem grandes restrições.

"A Lei do Trabalho é muito desajustada para cinema (limitativa nos horários de filmagens com crianças e jovens até 16 anos). Tive de mudar a história e escrevê-la para um elenco juvenil", conta Tino Navarro, produtor e argumentista, lembrando a primeira versão, escrita para actores-crianças. Quanto a Alcídia, muita papelada (declarações de escolaridade obrigatória cumprida, do Sindicato de Trabalho, e outras) acabou por lhe permitir o acesso ao filme. Ela desculpa-se por se ter feito passar por mais velha: "São as loucuras que se fazem por um sonho."

ESTRANGEIROS

MALKOVICH NA CAPITAL

‘The Dancers Upstairs’, de John Malkovich, com Javier Bardem e Alexandra Lencastre (2002).

‘VIAGEM A LISBOA’

Filme de 1994 rodado por Wim Wenders em Lisboa. Com Teresa Salgueiro e Manoel de Oliveira, entre outros.

ESPÍRITO PARLAMENTAR

Rodado em 1993 no Alentejo, ‘A Casa dos Espíritos’, filme de Bille August a partir do livro de Isabel Allende, teve filmagens importantes na Assembleia da República. Com Meryl Streep, Glenn Close e Jeremy Irons.

TEATRO SÃO CARLOS

‘O Sol da Meia-Noite’, de Taylor Hackford, com Mikhail Baryshnikov e Isabella Rossellini, rodou em 1985 no São Carlos.

‘AMANTES DO TEJO’

Filme francês de Henri Verneuil, com Daniel Gélin. Particularidade: participação de Amália Rodrigues.

 

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