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Correio da Manhã

Cultura
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Filme 'beato' valeu Ouro em Cannes

Só no elenco, juntam-se duas excelentes razões para não querer perder ‘A Árvore da Vida’: Sean Penn e Brad Pitt, um duelo de titãs num filme de um realizador de culto.

26 de Maio de 2011 às 13:00
Brad Pitt é um pai opressor em 'A Árvore da Vida'
Brad Pitt é um pai opressor em 'A Árvore da Vida' FOTO: D.R.

Terrence Malick (‘Dias do Paraíso' e ‘A Barreira Invisível') é um cineasta reservado, rigoroso e que surge só de quando em vez. Entre 1973, data de estreia na realização, e 2005, apenas assinou... quatro longas-metragens.  Mas, a cada filme, o culto à sua volta ganha nova força.

Em ‘A Árvore da Vida', Sean Penn é o adulto amargurado que busca respostas desde a infância. A vida, a família, a fé e o amor são inquietações do protagonista desde tenra idade, à medida que crescem as árvores e a Natureza segue o seu caminho. Como Jack (Penn, na idade adulta)...

Pelo meio, concentra-se na dor que a perda de um filho pode causar aos seus pais e irmãos, entre eles, Jack. Angustiada e sofrida, a trama é quase celestial nesta abordagem ao sofrimento e encanta o espectador nas imagens quase transcendentais.

‘A Árvore da Vida' foium dos filmes mais aguardados do recente Festival de Cinema de Cannes. Porque Malick não conseguiu conclui-lo a tempo do último festival; porque está envolto em secretismo; porque dele o cineasta pouco mais diz para além de que é "um poema".

Quando foi mostrado aos jornalistas, no primeiro visionamento mundial na Riviera Francesa, houve aplausos. E apupos. Mas o júri rendeu-se à obra do misterioso e sempre esquivo (ausente em Cannes) Malick. E deu ao seu filme, exercício metafísico e até religioso, o prémio maior: a Palma de Ouro.

'A Árvore da Vida' é mesmo daquelas obras que divide opiniões. É inegável a qualidade, a fotografia sublime, a narrativa que sugere tanto quanto revela, a força das personagens e dos diálogos - os ditos e os que se subentendem, mesmo por dizer.

Mas o filme é também extremo na sua visão quase beata, de eterno questionar de inquietações universais (de uns mais do que outros) e roça mesmo o enfadonho.

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