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Correio da Manhã

Cultura
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FLAMENCO DE FUSÃO

Apresentou-se em Lisboa, pela primeira vez este fim-de-semana no Coliseu dos Recreios, o espectáculo espanhol "Fúria" com coreografia dos bailarinos Ánjel Rojas e Carlos Rodríguez e música original do grupo Mahera.
28 de Setembro de 2003 às 00:00
Fúria é um trabalho muito cuidado a nível cénico
Fúria é um trabalho muito cuidado a nível cénico FOTO: d.r.
Trata-se de um trabalho que funde o flamenco tradicional - protagonizado essencialmente por solos masculinos de grande virtuosismo e impacto rítmico e sonoro - com a chamada "dança contemporânea", uma prática actualmente muito em voga.
A obra, muito cuidada a nível cenográfico e vestida com discrição mas não divorciada duma certa vertente "fashion", surge iluminada com habilidade e a ajuda de alguns fumos.
De um modo genérico, as partes solísticas são mais densas do ponto de vista emotivo e bem mais permeáveis à improvisação e ao tipo de sedução tão ao gosto dos espanhóis e associada à atitude toureira da "festa brava". Os conjuntos revelam-se mais apostados em aspectos intrinsecamente visuais mas bem explorados por um grupo homogéneo onde o elemento masculino pontua.
Além dos co-autores, dançam mais dois outros homens e cinco mulheres acompanhados por guitarras, violoncelo, flauta, percussão e um "cantaor" e uma "cantaora", respectivamente J.J. Chaleco e Mara Rey.
GUITARRA PORTUGUESA
Curiosamente, a segunda parte inicia-se com dois apontamentos de guitarra portuguesa, uma "inovação" tímida mas que contribui para aproximar o flamenco do fado, não só naquilo que ambas as formas de canto apresentam em comum mas também na sonoridade instrumental.
Em conclusão, este trabalho que já correu algum Mundo e que constituiu uma agradável surpresa no início de temporada, pela motivação com que é interpretado em vez de "Fúria" deveria intitular-se, simplesmente, "Ardor".
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