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Correio da Manhã

Cultura
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FOI AQUI EM PORTUGAL QUE TUDO COMEÇOU

A completar 25 anos de carreira, a cantora brasileira Joanna não consegue esconder o amor que nutre pelo nosso país. Em Maio, vai regressar aos palcos nacionais para mostrar o seu novo disco, ‘Acústico’.
9 de Março de 2004 às 00:00
Correio da Manhã – Este disco, ‘Acústico’, marca o regresso à música popular brasileira depois de um trabalho mais espiritual. Foi uma necessidade?
Joanna – É um disco de regravações e releituras de grandes sucessos escolhidos por mim. Tem três temas novos e conta com algumas participações, entre as quais a de Bethânia num tema que é, talvez, a menina dos meus olhos. E tem uma outra faixa, ‘Adormecer o Fado’, que conta com Tiago Torres da Silva e Pedro Jóia como arranjador e instrumentista, respectivamente.
– Como é que se deu esse encontro?
– Encontrei o Tiago uma vez em estúdio. Ele estava a trabalhar noutro projecto e nem sabia que eu estava a gravar. Conversa puxa conversa, começámos a falar do disco e eu disse-lhe que a minha última música iria ser um fado que já tinha escolhido. Foi quando ele se propôs a escrever um fado original. E fê-lo em menos de 24 horas, juntamente com o Pedro Jóia que fez os arranjos. A música é linda, porque o Tiago é um poeta e o Pedro um instrumentista fantástico.
– Este seu gosto pelo fado é antigo!
– Sim. Sempre gostei de fado. Mas esta música não é exactamente um fado. É mais um fado estilizado.
– E quando é que vamos poder ouvir essa música por cá?
– Lá para Maio ou Junho. Já temos um espectáculo previsto de apresentação do disco com mais algumas coisas pelo meio.
– Este álbum acaba por marcar os seus 25 anos de carreira. Olhando para trás, está satisfeita com o que conseguiu?
– Às vezes as pessoas perguntam-me se já realizei todos os sonhos e eu costumo dizer que não, que isso é impossível. E ainda bem que é assim. Sinto-me realizada, mas acho sempre que posso fazer mais.
– E o que é que acha que ainda lhe falta fazer?
– Não sei. Sou uma pessoa do momento. Tenho ainda muito para dar. Sei que uma coisa é certa: primo sempre pela consistência e é isso que faz do trabalho do artista uma coisa maior.
– Se pudesse voltar atrás corrigia alguma coisa?
– Não me arrependo do que fiz mas era capaz de alterar algumas coisas. Se pudesse voltar atrás, com a maturidade de hoje, se calhar era capaz de cantar determinada nota com maior altivez ou mudar determinados versos. Sem fazer qualquer tipo de repreensão, tudo o que mudasse seria apenas para apurar a minha arte, porque sou uma pessoa muito exigente.
– Lembra-se da primeira vez que actuou em Portugal?
– Nunca mais vou esquecer esse dia. Foi no Coliseu de Lisboa e nunca mais esquecerei a forma como fui recebida. As minhas raízes são daqui. Sou de família portugesa e tinha de ser aqui a porta do meu sucesso internacional. Foi aqui que tudo começou.
– E ainda se sente nervosa quando sobe a um palco?
– Claro que sim. Para mim é sempre como se fosse a primeira vez. Sinto exactamente as mesmas sensações que sentia há dez anos. Nada na minha vida é mais um.
– Quais foram para si os três momentos mais importantes da sua carreira?
– Inevitavelmente, tenho de escolher o primeiro disco porque foi o início de tudo. Depois, também foi muito importante a primeira vez que me ouvi na rádio. Recordo-me que estava sozinha em casa e que chorei muito. E, depois, há uma música que marcou muito a minha carreira: ‘Bailes da Vida’, feita pelo Milton Nascimento.
– Recorda-se de alguma história engraçada?
– Tem aquela famosa queda no Canecão quando tropeçei nas caixas de som e fui parar atrás da bateria. Acho que na altura as pessoas chegaram a pensar que fazia parte do espectáculo (risos). Depois, teve aquela vez em que estava a cantar e a minha camisa abriu ao meio...
– Qual foi a coisa mais bizarra que leu sobre si?
- Uma vez chamaram-me Roberto Carlos de saias (risos)...
PERFIL
Nascida no Rio de Janeiro no seio de uma família de cinco irmãos, Maria de Fátima, de seu nome verdadeiro, cedo saiu de casa com o intuito de cantar. “Troquei a matrícula do colégio pela mochila e pelo violão”, diz. “A minha polivalência ajudou-me muito. Nunca abri mão da minha liberdade. Sou de temperamento independente. Isso contribuiu para que conhecesse boa parte do Mundo”, recorda. Tendo participado num infindável número de eventos musicais, programas de televisão e ‘boites’ do sul do Rio de Janeiro, Joanna começou a brilhar num festival em 1979, onde ganhou o nome artístico. Hoje, com 25 anos de carreira, confessa-se com força para realizar outros tantos. Adepta da literatura e do cinema, diz que não aguenta a rotina e que, por isso mesmo, escolheu uma profissão que foge
a ela.
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