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Correio da Manhã

Cultura
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FORTE DEGRADAÇÃO

A Câmara Municipal de Sines encara a possibilidade de encerrar o Forte da Ilha do Pessegueiro já no próximo Inverno, caso até lá não sejam iniciados trabalhos de restauro no edifício. A intenção foi comunicada ao Correio da Manhã por Manuel Coelho, presidente da autarquia, que diz estar aquele imóvel “à beira da ruína”.
24 de Junho de 2004 às 00:00
Preocupado com a segurança das pessoas que ali se deslocam, o autarca – que já fez uma série de diligências, infrutíferas, junto da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, “dona” do Forte –, lembra um projecto de recuperação apresentado há cerca de quatro anos pelo Parque Natural da Costa Vicentina, que também não teve sucesso.
“O Parque queria utilizar aquele espaço para ali colocar um Centro Interpretativo daquela zona e uma área de restauração, mas não se chegou a passar do papel”, explicou. O pedido de pagamento ao Parque de uma renda pela utilização do imóvel (que esta entidade e uma parceria de outras instituições iriam recuperar), inviabilizou a solução apresentada.
RUÍNA A CURTO PRAZO
“Edifício de aspecto sólido, que não sugere a ruína imediata”, é desta forma que o historiador António Quaresma, visitante habitual do Forte, caracteriza este património. No entanto, sublinha, aos olhos dos mais atentos são visíveis problemas graves, que fazem advinhar uma ruína a curto prazo, isto, diz, caso nada seja feito para o impedir.
“Na zona da abóboda existe uma pilastra cujos elementos estão corroídos pela erosão, pelo que se pode desfazer e provocar o desabamento da mesma”, explicou.
Problemático é também o estado da falésia, na qual assenta o Forte. O edifício está edificado numa zona de arenito (antiga duna fóssil), que ao longo dos anos tem vindo a quebrar, em virtude da erosão. Estas transformações já provocaram desabamentos. Preocupado com esta situação, o autarca de Sines é peremptório: “Tem que se consolidar a falésia e a estrutura-base do Forte”.
O CM tentou obter reacções da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais e do IPPAR, mas tal não foi possível.
CURIOSIDADES
INTERVENÇÃO
Entre os anos de 1983 e 1985 foram realizadas algumas obras de beneficiação no local, nomeadamente ao nível dos paramentos exteriores do baluarte esquerdo e da zona central, na zona da porta de entrada e procedeu-se também à reconstrução de zonas ruídas ou em riscos de desprendimento.
SECULAR
Construído nos séculos XVI/XVII, o Forte possui uma arquitectura única na zona. Encontra-se na área do Parque Natural da Costa Vicentina e a sua envolvente é muito rica, tanto a nível natural, como cultural. Com o interior votado ao abandono, quem ali entra depara com duas velhas peças de artilharia.
DESCRIÇÃO
Possui uma planta poligonal estrelada. Trata-se de um conjunto envolvido por fosso circundado por muro baixo. No interior as construções estão dispostas em “u”, cobertas por um terraço. No extremo do braço Norte existe uma capela abobadada. Trata-se da ermida de Nossa Senhora da Queimada.
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