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Correio da Manhã

Cultura
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Francisco Silva devolve acusação

Francisco Silva, produtor da peça ‘O Efeito Laranja’, devolveu a acusação de “incumprimento de contrato” à Parceiros de Comunicação (PC), sua parceira para assessoria de Imprensa e divulgação do espectáculo que o processou alegando a mesma razão. Em causa está o cancelamento da digressão do espectáculo (pelo produtor) em meados de Junho, um mês antes da data prevista.
13 de Agosto de 2006 às 00:00
Francisco Silva não nega dívidas à PC e aos actores de ‘O Efeito Laranja'
Francisco Silva não nega dívidas à PC e aos actores de ‘O Efeito Laranja' FOTO: Sérgio Lemos
Por causa desta decisão do produtor e por pagamentos em falta, a Parceiros de Comunicação (PC) processou a Nicomedia, de que Francisco Silva é proprietário, conforme noticiado pelo CM na quinta-feira. Mas o produtor – apesar de confirmar o cancelamento devido ao “fracasso de bilheteira da peça” – avançará também para Tribunal , caso a PC não o indemnize dos danos que diz ter sofrido à sua custa: “60 mil euros.”
“FRACASSO DE BILHETEIRA”
“Houve incumprimento, mas por parte da Parceiros de Comunicação”, explicou ontem ao CM. “A peça foi, infelizmente e apesar do elenco, um fracasso de bilheteira. Não dava para continuar”, admitiu o produtor de cinema que há 33 anos que fez a primeira experiência no teatro com ‘O Efeito Laranja’.
O motivo do “desastre” foi, segundo adiantou, a conduta da PC que “influenciou a peça de forma irremediável levando-a ao insucesso”. Tudo porque, frisa, a PC “abdicou das suas funções logo após a estreia, a 14 de Fevereiro”, em Lisboa, obrigando-o a substituir a PC na divulgação da peça e a suportar os respectivos custos.
Quanto ao elenco – onde, para além de Breyner, estão ainda Helena Laureano, Carlos Areia, Marcantonio del Carlo, Rita Salema e Patrícia Tavares –, o produtor confirma dever dinheiro aos actores, mas “todos receberam cartas a avisar que serão pagos assim que a situação financeira o permita”, o mesmo acontecendo com os fornecedores lesados, garantiu, sem, todavia, especificar datas.
Francisco Silva confessou ainda “uma enorme mágoa” por toda a situação, lamentando, em especial, o deteriorar da relação com Nicolau Breyner (do qual era agente há dois anos) e que, frisou, “estava a par de tudo”.
Quanto à dívida de 25 mil euros – valor que o produtor garante ter acordado pela prestação de serviços da empresa de comunicação à Nicomedia –, esta só será paga “se o Tribunal assim o decidir”.
PERFIL
Francisco Silva nasceu há 51 anos em Coruche mas desde os sete que vive em Lisboa. Com uma actividade profissional de 33 anos, começou pela produção em publicidade e passou por várias produtoras de cinema como a Panorâmica 35, a Blow Up e a Telecine, tendo ainda produzido cerca de 35 longas-metragens e realizado alguns documentários. Se a primeira película de cinema foi produzida em 1974 - ‘Lerpar’, de Luís Couto -, a estreia na produção teatral aconteceu com ‘O Efeito Laranja’, em 2006.
Desde há dois anos que era ainda agente de Nicolau Breyner, tarefa de que abdicou após estes recentes acontecimentos.
PARCEIROS RESPONDE
Contactada pelo Correio da Manhã, Susana Monteiro, da Parceiros de Comunicação, responde às acusações de Francisco Silva. “Quem está em incumprimento de contrato é a empresa Nicomedia que não terminou uma digressão que estava calendarizada e contratada com a Parceiros de Comunicação”, voltou a sublinhar a porta-voz da empresa de assessoria, lembrando que “o caso está em contencioso”, tal como afirmara ao nosso jornal na passada quinta-feira. E mais: “Quem deve dinheiro à Parceiros de Comunicação é a Nicomedia, que também não pagou aos actores. Ao contrário do que Francisco Silva diz, a peça foi um sucesso e teve salas cheias”, refutou Susana Monteiro.
RIR COM A IMPOTÊNCIA
Depois de ter protagonizado uma campanha nas televisões sobre a disfunção eréctil, Nicolau Breyner subiu ao palco do Teatro Tivoli, em Lisboa, ao lado de um elenco de luxo, para abordar o mesmo tema, desta feita na comédia teatral ‘O Efeito Laranja’.
A peça, produzida pela Nicomedia, de Francisco Silva, tinha a parceria da PC, a nível de assessoria, e o patrocínio da Bayer. Rita Salema, Patrícia Tavares, Marcantónio Del Carlo, Helena Laureano e Carlos Areia são os restantes actores do elenco que se apresentou ainda no Porto, em Santa Maria da Feira e em Santarém, numa digressão que acabou por ser interrompida por Francisco Silva.
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