Barra Cofina

Correio da Manhã

Cultura
3

Gosto de apostar no novo

Lauren Bacall, actriz, passou pelo Festival de Berlim para apresentar o seu mais recente filme, ‘The Walker’. Em entrevista ao CM a actriz (82 anos) condenou os salários pagos às estrelas de hoje e reafirmou a intenção de não deixar de representar.
16 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Lauren Bacall no Festival de Berlim, onde foi apresentar o seu novo filme, ‘The Walker’.
Lauren Bacall no Festival de Berlim, onde foi apresentar o seu novo filme, ‘The Walker’. FOTO: Arnd Wiegmann, Reuters
Correio da Manhã – É difícil convencê-la a aceitar um novo trabalho ou gosta tanto de trabalhar que aceita todas as ofertas?
Lauren Bacall – Adoro trabalhar. Também é verdade que nunca houve nenhuma avalancha de propostas de trabalho. Digamos que trabalho sempre que posso.
– Existe alguma estrela de hoje que se compare com as do seu tempo?
– Nessa altura as actrizes não ganhavam vinte milhões de dólares…
– E isso pode ser prejudicial?
– Acho que há muita gente que ganha vinte milhões de dólares e nem sequer se pode considerar actor. O maior problema é que não há respeito pelos verdadeiros actores. Sobretudo porque depois de se pagar essas quantias insanas não resta dinheiro para nada.
– Porque é que acha que isso é assim?
– Porque hoje não há o mesmo talento nem as mesmas estrelas. Para mim, aqueles quem eu considero estrelas são o Jimmy Cagney, o Bogart, o Gable, o Jimmy Stewart, o Fonda. Todos eles começaram no teatro antes de fazerem cinema. Hoje é tudo ao contrário e toda a gente faz TV. Também não há argumentistas à altura, não há um ‘Falcão de Malta’…
– Por que diz que Bogey tomou conta da sua vida?
– Pela simples razão de que eu tinha um contrato com o Howard Hawks. Ele também queria tomar conta da minha vida. No início eu até achei bem. Mas o Bogey passou-lhe à frente.
– Como era ele nessa altura?
– Era um verdadeiro cavalheiro. Tinha um grande sentido de humor e era muito inteligente. Por outro lado, fazia-me sentir muito melhor a seu lado. Gradualmente as coisas avançaram até que ficaram como muita gente conhece. Até o Hawks me avisou que o Bogey nunca casaria comigo… Nesse sentido, tive muita sorte em ser o Bogart e não outro qualquer, porque nessa altura eu era uma miúda com menos de vinte anos. Ele não estava apenas à procura do meu corpo intocado…
– Ainda hoje o chama de Bogey. De que forma ele está ainda presente na sua vida?
– O Bogey será sempre o Bogey. Isso não mudará. Ele está bem vivo porque o público assim o quer. Os filmes dele continuam a passar. Ele é o número um.
– Qual a razão de ter uma carreira com um sucesso tão prolongado?
– Permite-me continuar viva. E adoro trabalhar. Também gosto de apostar no que é novo.
PERFIL
Betty Joan Perske nasceu em Nova Iorque a 16 de Setembro de 1924, estudou dança e interpretação e trabalhou como modelo. Estreou-se na Broadway com 18 anos, mas aos 20 foi descoberta pelo realizador Howard Hawks, que lhe mudou o nome para Lauren. Teve uma ascensão fulgurante no cinema e em 1945 casou com Humphrey Bogart, 25 anos mais velho e com quem ficiaria até à morte deste, em 1957.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)