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Correio da Manhã

Cultura
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Gosto de receber elogios

Mariza encerra hoje, em Castelo Branco, a digressão de ‘Fado Curvo’, que a levou aos quatro cantos do Mundo. Em entrevista ao CM, a fadista fez um balanço de mais de um ano na estrada e revelou que já está a trabalhar no próximo disco.
16 de Dezembro de 2004 às 00:00
Mariza está de regresso aos palcos em meados de 2005
Mariza está de regresso aos palcos em meados de 2005 FOTO: Jorge Paula
Correio da Manhã – Encerra esta noite a digressão de ‘Fado Curvo’ que durou mais de um ano e foi marcada por uma série de momentos altos. Qual é o balanço?
Mariza – Foi um ano muito cheio, em que aconteceram muitas e boas coisas. A digressão começou em Setembro do ano passado mas quase nem dei pelo tempo passar. Fiz concertos muito bons e, sobretudo, houve um grande amadurecimento, porque descobri uma nova forma de viver e sentir a música e aprendi a respeitá-la ainda mais.
– Houve momentos que a marcaram mais?
–Houve situações especiais, como o espectáculo com a Orquestra Sinfónica de Los Angeles, o dueto com o Carlos do Carmo e com o Sting, ou a passagem pelo Egipto. Pensei que ia apenas fazer dois simples concertos mas acabei por ser a convidada de honra do Festival Internacional de Música do Cairo.
– Alcançou um patamar elevado neste último ano. Recebeu prémios, teve o público e a crítica a seus pés. Esperava que ‘Fado Curvo’ a trouxesse até aqui?
– Nunca espero que estas coisas aconteçam, até porque não é por elas que canto. Mas não estaria a ser verdadeira se dissesse que não. É claro que gosto de receber prémios ou elogios. São todos bem vindos e funcionam para mim como um incentivo para continuar.
– Depois de tantos quilómetros de ‘estrada’ sente algum cansaço, ou quem corre por gosto nunca se cansa?
– Não vou negar que sinto algum cansaço. Houve fases desta digressão muito intensas, como por exemplo em França, onde quase todos os dias nos levantávamos às seis da manhã para fazer centenas de quilómetros num ‘tour bus’ (autocarro). Há dias em que falta a energia e sente-se até alguma irritabilidade. Mas depois, quando piso o palco, ouço os aplausos, sinto o calor do público e sinto-me cheia de força outra vez. É como uma espécie de dose dupla de vitaminas. Mesmo depois de um dia cansativo, no final do concerto toda a equipa se reúne para jantar, eufórica e feliz.
– Como será o espectáculo desta noite? Reservou alguma coisa especial para esta ‘despedida’ temporária?
– Um concerto é sempre especial, sobretudo porque é um privilégio poder encerrar esta digressão em Portugal. Cheguei a pensar que daria o último concerto em Moscovo, mas acabou por surgir este convite para encerrar a programação artística da Associação de Belgais, o que muito me honrou. Não preparei nada em concreto, até porque funciono de forma espontânea. Mas falar português e cantar para a minha gente, para a qual reservo sempre alguns ‘miminhos’ é sempre especial.
– O que se segue agora? Férias?
– Não vai haver tempo para férias, porque já estou a trabalhar no próximo disco.
– Em que fase se encontra a preparação do novo álbum?
– Numa fase inicial. Estou a fazer um intenso trabalho de pesquisa e já falei com alguns compositores, mas ainda não está nada definido.
– O que pretende fazer?
– Não gosto de pensar nesses termos, de escrever alinhamentos no papel. Gosto de deixar as coisas fluírem em estúdio, com os meus músicos, o que deverá acontecer lá pa-ra Janeiro. O disco dependerá muito da forma como decorrer esse processo.
–Há alguma data prevista para o lançamento?
– Essas coisas já me ultrapassam. É uma decisão que cabe à editora, mas creio que talvez já esteja cá fora na próxima Primavera.
PERFIL
Mariza (com ‘Z’ por teimosia do pai) nasceu em Moçambique, mas vive em Portugal desde os três anos. Contactou com o fado na Mouraria, onde cresceu, embora tenha feito uma incursão noutros géneros musicais na adolescência, nomeadamente gospel, soul, jazz e bossa nova. Quando o fado ‘a escolheu’ - como gosta de dizer - revelou-se desde logo uma das mais promissoras fadistas da nova geração.
O álbum de estreia, ‘Fado em Mim’, chega em 2001 , estranhamente lançado por uma editora estrangeira e com custos totalmente cobertos pela fadista. O seu brilho é imediatamente reconhecido pelo mundo fora, principalmente desde que recebeu o prestigiado prémio da BBC para Melhor Artista da Europa na categoria de world music. Com ‘Fado Curvo’ (2003), confirmou as melhores suspeitas e elevou a sua carreira a um patamar invejável.
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