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Correio da Manhã

Cultura
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Guida Maria volta a falar de sexo

Guida Maria andava à procura de um monólogo para fazer, quando a amiga Io Apolloni lhe passou para as mãos este, de Dario Fo e Franca Rame. ‘Sexo? Sim, Mas com Orgasmo’ é uma peça/conferência que versa sobre sexo com tanto de humor quanto de pedagogia e que a actriz estreia esta noite, às 22h00, no Auditório do Casino Estoril.
8 de Setembro de 2010 às 00:30
Guida Maria
Guida Maria FOTO: Mariline Alves

Depois de ‘Monólogos da Vagina’, é o regresso aos monólogos mas, também, à temática sexual. Novamente com acentuado tom feminista e sem ofender. Guida Maria admite que uma das coisas de que mais gosta de ouvir do público é que lhe digam que "não faz espectáculos ordinários". No entanto, acrescenta que há coisas que têm mesmo de ser ditas.

O texto do Nobel da Literatura e da sua mulher baseia-se num livro que o filho do casal, Jacopo Fo, escreveu e relata experiências com que todos nos identificamos. Só para se ter ideia do seu conteúdo com bolinha vermelha (é para maiores de 18), um dos momentos mais hilariantes é uma aula em que se ensinam as mulheres a fingir o orgasmo.

Mas nem tudo é humor neste trabalho em que Guida Maria volta a ser dirigida pelo encenador António Pires. O espectáculo fecha com a descrição de uma violação – experiência vivida pela própria Franca Rame quando, em 1973, foi torturada às mãos de um grupo fascista. Guida Maria considera que reforça a mensagem que se pretende passar: sexo? Sim, mas com amor.

Quem quiser pode adquirir bilhetes para as cadeiras instaladas no palco, mas prepare-se para alguma interacção com a actriz...

"VIDA SEXUAL É UMA DESGRAÇA": Guida Maria, Actriz de ‘Sexo? Sim, Mas com Orgasmo’

– É difícil estar hora e meia a falar directamente para o público?

Guida Maria – O público não me intimida, antes pelo contrário. Adoro falar cara a cara com as pessoas e até acho que o faço bem.

– Mesmo a falar de sexo?

– Sim, mas sem ofender. A ideia não é que as pessoas se sintam constrangidas. Mas é claro que ‘vulva’ é uma palavra horrível, mas existe, e é preciso dizê-la.

– Daria conselhos sexuais?

– Eu? Não sou a pessoa indicada, até porque a minha vida sexual é uma desgraça.

– Qual o objectivo deste espectáculo?

– O objectivo é divertir, claro, mas também fazer reflectir. Se as pessoas saírem daqui, forem beber um café e, dois minutos depois, pensarem na peça e se lembrarem do que aqui viram e ouviram, ficarei contente.

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