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Correio da Manhã

Cultura
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Há 11 anos em restauro

Na freguesia de Nossa Senhora da Conceição, em Vila Real, Trás-os-Montes, há 11 anos que os fiéis do Santo Soldado esperam – e desesperam – o regresso, à sua pequena capela, de uma tela alusiva àquela figura. O quadro terá deixado a cidade em 1996 para ser restaurado só que não mais voltou.
28 de Agosto de 2007 às 00:00
O quadro foi enviado, em Novembro de 1996, para a Casa de Arte Cristã, em Braga
O quadro foi enviado, em Novembro de 1996, para a Casa de Arte Cristã, em Braga FOTO: d.r.
Isildo Moreira Paulo, o presidente da Junta, é o primeiro a dar voz ao descontentamento da população: “Estamos em risco de perder o rasto a um elemento patrimonial histórico de elevado interesse para a cultura portuguesa em geral e para Vila Real em particular”, começou por dizer ao CM, confessando achar estranho “o silêncio das entidades responsáveis em relação ao paradeiro da tela”.
Para o autarca, 11 anos “chegam e sobram para recuperar uma obra de arte. O povo desta freguesia tem de saber o que, de facto, se está a passar”, reclama.
De acordo com Isildo Moreira Paulo, foi em Novembro de 1996 que a pintura do século XIX foi enviada para a Casa de Arte Cristã, localizada na rua do Souto, em Braga, no âmbito de uma colaboração entre a Câmara Municipal de Vila Real, o Rotary Club e o Lyons Club. Quanto ao valor estipulado para o trabalho de restauração o CM sabe que é de 13,750 euros.
“Já tentámos várias vezes saber o que se passa mas, até à data, só obtivemos uma resposta da Câmara de Vila Real. Foi a 25 de Fevereiro de 2005, quando os serviços de Cultura nos comunicaram que o retábulo estava a ser recuperado em Braga. Da Casa da Arte não temos notícias e, 11 anos passados, continuamos sem saber o que aconteceu à tela do Santo Soldado”, salientou Isildo Paulo.
Contactada pelo CM, a Câmara de Vila Real declina qualquer responsabilidade sobre o sucedido e alega que a obra não lhe pertence.
PAGAMENTO GERA POLÉMICA
A tela que está a gerar polémica pertence à paróquia de Borbela. E quando for devolver um outro problema surgirá já que nem Câmara nem Junta querem assumir o pagamento do restauro. Enquanto a Câmara defende que deve ser a paróquia a pagar os 13,750 euros, a Junta de Freguesia entende que a quantia e ainda o transporte da obra para a capela devem ser suportados pela edilidade.
Confrontada pelo CM com esta posição da Junta, a Câmara de Vila Real, através do seu Gabinete de Imprensa, fez saber que o assunto “apenas diz respeito à Junta de Freguesia”.
O Correio da Manhã tentou ainda obter esclarecimentos sobre o restauro da obra, bem como sobre o paradeiro da mesma junto da Casa de Arte Cristã de Braga, mas os esforços revelaram-se infrutíferos.
PORMENORES
FUZILADO
Conta a lenda que o Santo Soldado ou José Custódio, foi enterrado há 194 anos no lugar de Santa Iria, em Vila Real. Na altura era soldado do Batalhão de Caçadores nº 5 de Castelo Branco. Foi acusado de ter roubado um cálice sagrado e acabou fuzilado pelo crime. Alegadamente estaria inocente.
SÓ UM TIRO
Do pelotão de fuzilamento, composto por uma centena de homens, apenas um alvejou, de forma certeira, o soldado José Custódio. Os outros teriam a convicção de que se preparavam para matar um homem inocente e terão errado os disparos de forma propositada.
IDOLATRADO
O Soldado Santo é idolatrado por centenas de fiéis. Por norma, recorre a ele quem passa por situações aflitivas na vida. A sua capela está sempre iluminada com velas e lamparinas.
SEPULTADO
O Santo Soldado está sepultado na Igreja da Misericórdia, Vila Real. Fundada em 1532 por D. Pedro de Castro, foi um centro de fé aristocrático e até uma sinagoga. Espaçosa, acolhe sete quadros a óleo.
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