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Correio da Manhã

Cultura
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Hollywood portuguesa

O Algarve pode vir a tornar-se numa espécie de Hollywood à portuguesa ao abrigo da Algarve Film Commission (AFC), estrutura apresentada oficialmente na sexta-feira e cujo objectivo é promover a região como destino para produções cinematográficas.
15 de Outubro de 2006 às 00:00
O Algarve é uma das poucas regiões do Mundo que tem luz boa para filmar entre os meses de Outubro e Março
O Algarve é uma das poucas regiões do Mundo que tem luz boa para filmar entre os meses de Outubro e Março FOTO: Rui Gomes
O actor Joaquim de Almeida, que ocupa o cargo de presidente da Assembleia Geral da associação, fez as honras de apresentação da AFC, numa cerimónia realizada em Albufeira e organizada pela Região de Turismo do Algarve (RTA).
O objectivo da AFC, constituída em Maio passado, após dois anos de análise de viabilidade do projecto, é posicionar a região com o cenário natural de produções audiovisuais portuguesas e internacionais.
A luminosidade, que pode aumentar a produtividade das filmagens, as boas acessibilidades, a diversidade de cenários – praia, serra, património histórico –, e a hotelaria de qualidade são factores que, segundo a AFC, colocam a região em vantagem. Entre os benefícios para o Algarve contam-se o ganho de receitas directas, já que se estima que, em média, 30 por cento do orçamento de uma produção seja gasto na região de rodagem, a criação de emprego e a conquista de notoriedade junto de novos públicos.
O objectivo passa também por integrar o Algarve na Association of Film Commissioners International (AFCI), juntando-se aos 317 membros já existentes, cuja esmagadora maioria se situa nos Estados Unidos, embora também haja muitas “film commissions” na Europa e Canadá.
“Se Marrocos consegue captar produções cinematográficas, não há razão para que o Algarve não possa fazer o mesmo”, disse Joaquim de Almeida, referindo que a região é das poucas do Mundo que, entre Outubro e Março, tem luz para filmar.
Frisando que o grande problema da indústria audiovisual em Portugal é a demora na obtenção de licenças para filmar, o actor apelou às autarquias para que facilitem o processo. “Nos Estados Unidos, os estados criam leis especiais ao nível dos impostos para atrair os produtores de cinema”, observou, lembrando que a indústria cinematográfica constitui a segunda maior exportação do país.
Joaquim de Almeida salientou ainda a importância da formação de técnicos na região, para que não se tenha que ir buscar o ‘know-how’ a Lisboa e se possa atrair as próprias produtoras a instalarem-se no Algarve.
Outra das questões focadas pelo actor foi a necessidade da criação de um catálogo/guia de apoio à produção, para que os produtores possam ter facilmente acesso a informações sobre locais para filmar e estruturas existentes na região.
Para a concretização destes objectivos, a AFC propôs parcerias ao Instituto do Cinema Audiovisual e Multimédia (ICAM), à Grande Área Metropolitana e Universidade do Algarve (AMAL), e a diversas associações empresariais do sector turístico.
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