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Correio da Manhã

Cultura
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Homenagem à canção

Imortalizada como ‘vila morena’ nos versos de Zeca Afonso, Grândola arranca hoje com um projecto de estudo, registo e divulgação da canção de intervenção. Trata-se do Observatório Mundial da Canção de Protesto (OMCP), cuja designação surgiu precisamente do hino revolucionário de Abril e do legado deixado pelo músico de intervenção. A apresentação é às 14h00, na Biblioteca Municipal da localidade.
21 de Outubro de 2007 às 00:00
A iniciativa em Grândola 'pretende realçar o legado cultural e os elementos históricos e sociais na base das canções de protesto'
A iniciativa em Grândola 'pretende realçar o legado cultural e os elementos históricos e sociais na base das canções de protesto' FOTO: d.r.
“Este projecto pretende ser um lugar de união, registo e divulgação das canções de protesto na emancipação dos povos ao longo da História”, disse ao CM Carlos Beato, presidente da Câmara de Grândola.
“Sendo esta a terra onde o povo é quem mais ordena, teria de partir de nós uma iniciativa desta dimensão que pretende realçar todo o legado cultural, os elementos históricos e sociais que estão na génese das canções de protesto”, acrescentou o autarca, também ele um dos capitães de Abril que, ao lado de Salgueiro Maia, desfilou desde Santarém rumo à capital na noite da Revolução dos Cravos que deu origem à queda da ditadura e à implantação de um regime democrático em Portugal em 1974.
PONTO DE ENCONTRO
De acordo com os mentores do OMCP, o espaço servirá ainda para reunir investigadores e autores em colóquios, debates e conferências. Hoje, após um colóquio sobre José Afonso, acontecerá ainda um reencontro de três nomes fortes da canção de protesto de Portugal e Espanha – Francisco Fanhais e José Mário Branco juntam-se a Paço Ibañez em concerto, três décadas depois de terem partilhado um palco pela última vez.
Ao CM, Carlos Beato salientou ainda que estão a ser desenvolvidos contactos com organizações internacionais como a UNESCO e a Comissão de Cultura da União Europeia a fim de conseguir parcerias que permitam dar uma dimensão mundial ao projecto.
Criar prémios para a investigação e promover a publicação de teses, trabalhos e artigos científicos na área, organizar festivais de música e criar um estúdio-laboratório fonográfico polivalente, uma sala multimédia e salas de audições são outros dos objectivos a que se propõe o Observatório Mundial da Canção de Protesto.
PROGRAMA
COLÓQUIO
Depois da apresentação, às 14h00, segue-se às 17h00, ainda na Biblioteca, um colóquio sobre José Afonso. O debate será moderado por Alípio Rodrigues (Presidente da Associação José Afonso) e terá como oradores Daniel Proença de Carvalho, o percussionista Rui Rodrigues e a filha do compositor, Helena Afonso.
CONCERTO
Às 22h00, os portugueses Francisco Fanhais e José Mário Branco e o espanhol Paco Ibañez voltam a juntar-se em palco ao fim de 30 anos. O concerto realiza-se no Parque de Feiras e Exposições da vila alentejana.
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