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Correio da Manhã

Cultura

Impacto visual

Os Fuerzabruta, pela mão de Diqui James e Gaby Kerpel, chegaram da Argentina, de onde já tinham vindo com os De La Guarda, para a ToyotaBox e vão ficar mais de um mês nas Docas de Alcântara, Lisboa, com o espectáculo homónimo.
12 de Novembro de 2005 às 00:00
Grupo ‘dissidente’ daquele, traz-nos um trabalho que, em grande parte, também se passa por cima das cabeças dos espectadores e com ‘performers’ suspensos por cordas, pode etiquetar-se como ‘teatro físico’, com uns laivos de dança e uns momentos com ‘espírito’ de discoteca.
Tudo se passa numa ‘caixa negra’ onde se atravessam mecanismos deslizantes pelas paredes de espessas cortinas ou num tecto que mais parece uma teia de tubos metálicos. A ideia é que os ‘cenários’ entrem pelo espaço adentro e o espectador se envolva com os mesmos. Uma meia dúzia de boas ideia para outros tantos apetrechos, de-senvolve acções que produzem um excelente efeito visual, sobretudo pela maneira habilidosa e criativa como tudo se encontra iluminado.
Também os aspectos musicais do ‘show’ ajudam a criar toda uma atmosfera propícia a um misto de espanto e divertimento, num trabalho que faz deslocar o público mas nunca o agride nem violenta.
Sem nada trazer de muito novo, ‘Fuerzabruta’ é um espectáculo de cerca de uma hora em que ao público, de pé, é proposta uma sequência de ‘quadros’ cinéticos sem qualquer fio narrativo.
Quer seja uma enorme passadeira rolante, em que um homem começa por chocar, numa desenfreada correria, com várias ‘portas’ de esferovite que se estilhaçam, ou uma piscina plástica transparente que sobe, desce e báscula com quatro raparigas seminuas lá dentro, o resultado é bem conseguido.
Também uma espécie de vela (de windsurf) gigante e metalizada que roda em frenesim e atira um casal atado a cordas para o espaço, com o efeito da força centrífuga, proporciona momentos de tensão e expectativa nos presentes.
Um evento que enche o olho e, algumas vezes, também a cabeça de… pingos de água!
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