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Correio da Manhã

Cultura
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Inéditos de Cargaleiro vão à praça

Cerca de 130 trabalhos inéditos de Manuel Cargaleiro podem ser apreciados numa exposição patente até sexta-feira no Palácio do Correio Velho, em Lisboa. Esta colecção, que pertenceu ao antigo embaixador brasileiro em Portugal, Ernesto Ferreira Carvalho, será leiloada no próximo dia 14.
7 de Dezembro de 2004 às 00:00
Serigrafias, guaches, óleos, gravuras, aguarelas, cerâmicas e desenhos fazem parte deste importante e vasto acervo, reunido graças à amizade entre o artista português e o falecido diplomata brasileiro que, além de amigos, eram também primos.
A colecção, constituída por trabalhos realizados entre as décadas de 50 e 70, e alguns dos anos 80, permite observar a evolução artística de Cargaleiro. “Esta é uma produção pouco conhecida em Portugal”, explicou, durante uma visita à exposição, João Nuno Alçada, amigo e conhecedor da obra do artista.
Ceramista de fama internacional, Cargaleiro deixa bem patente, em todos os seus trabalhos, esta vocação. “Mesmo nos guaches e nas serigrafias, Cargaleiro transmite a sua vontade de ser um bom ceramista”, referiu João Nuno Alçada, acrescentando que os motivos, semelhantes a painéis de azulejos, são sempre repetidos.
Flores, estruturas geométricas e catedrais são as fases mais conhecidas de Cargaleiro que tanto surgem em óleos, serigrafias, gravuras ou peças de cerâmica. “Os motivos são parecidos mas os quadros ganham um certo movimento através da alternância de cores”, explicou.
FENÓMENO DE VENDA
A colecção reúne um importante conjunto de desenhos, que revelam uma faceta diferente do artista. “Cargaleiro não é um pintor figurativo mas desenhou uma série de rostos por brincadeira”, comentou João Nuno Alçada, acrescentando que os desenhos teriam sido, provavelmente, deitados fora e guardados pelo diplomata brasileiro.
A colecção inclui também um conjunto de pequenos trabalhos que eram enviados como cartões de boas festas durante o Natal. Estes trabalhos, que serão leiloados no próximo dia 14, pelas 21h00, representam um excelente investimento.
De acordo com João Pinto Ribeiro, do Palácio Correio Velho, Cargaleiro é “um dos maiores fenómenos em termos de leilão. É um pintor que nunca desce de valor”. Na sua opinião, algumas das obras – que não têm base de licitação – podem atingir entre 40 a 60 mil euros.
A exposição está patente das 10h00 às 13h00, entre as 15h00 e as 18h30 e das 21h00 às 23h00.
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