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Correio da Manhã

Cultura
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Italiano favorito ao Nobel da Literatura

O nome do próximo Nobel da Literatura será conhecido hoje por volta do meio-dia, mas há semanas que nos meios intelectuais são feitas apostas para ver quem acerta no vencedor deste ano.
11 de Outubro de 2007 às 00:00
Para alguns, Claudio Magris será o próximo Nobel
Para alguns, Claudio Magris será o próximo Nobel FOTO: D.R.
A acreditar no site de apostas Ladbrokes – que em 2006 acertou no turco Ohran Pamuk – o Nobel da Literatura de 2007 poderá ser o italiano Claudio Magris (n. 1939), que parece reunir o maior número de preferências e que, curiosamente, tem mais obra como ensaísta do que como romancista.
Na lista dos mais votados estão também o poeta australiano Les Murray (n. 1938), o escritor norte-americano Philip Roth (n. 1933) e o sírio Ali Ahmad Said Asbar – que assina com o pseudónimo Adonis e é considerado um dos mais importantes autores árabes do século XX. Aliás, embora a lista dos finalistas aos Nobel nunca seja divulgada pela Academia Sueca, a verdade é que premiáveis há muitos e no sítio da Ladbrokes consta uma extensíssima lista de escritores ‘nobelizáveis’, com carreira firmada nas letras (ver caixa).
Tudo isto permanece, porém, à margem do processo oficial, que implica vários meses de selecção e discussão, sempre rodeados de um secretismo absoluto. Tudo começa em Fevereiro de cada ano, com uma primeira selecção a partir de 200 ou 300 nomes propostos pelos vários membros da Academia e por instituições literárias em todo o Mundo.
Entre Abril e Junho, a lista é reduzida para 20 nomes, com o júri sueco a avaliar a obra dos autores, sempre que possível na língua original em que foi escrita, ou em traduções para inglês, francês, alemão ou russo.
Finalmente, e depois de uma pausa para as férias de Verão, a lista é reduzida para cinco finalistas, cujos nomes são guardados a sete chaves. Para evitar fugas de informação, os membros da Academia – cuja média de idades ronda os 70 – não podem ser vistos em público com uma obra de um escritor vivo – porque pode ser ‘nobelizável’ – nem podem discutir ou mencionar o nome de qualquer autor. A única forma de poderem falar sobre os autores é atribuindo-lhes um nome de código – como Harry Potter, por exemplo, que foi atribuído ao dramaturgo Harold Pinter, Nobel da Literatura em 2005.
Neste processo, até a escolha de tradutores é criteriosa, pois primeiro os membros da Academia têm de se certificar de que a fuga de informação não se fará pelo elo mais fraco...
A etapa derradeira do processo é a escolha do eleito, a partir de cinco nomes. Uma eleição feita por voto secreto que, em caso de empate, implicará nova votação.
OUTROS FAVORITOS
Les Murray (em cima, à esquerda) e Philip Roth (à direita) integram uma lista de luxo onde pontuam os nomes de J. Carol Oates, Murakami, Amoz Oz ou Hugo Claus. Qualquer um seria um bom candidato a um prémio que vale um milhão de euros. Em relação aos portugueses, todos os anos se aventam os mesmos nomes. Depois de Saramago, Nobel em 1998, Agustina Bessa-Luís e António Lobo Antunes continuam a ser citados como candidatos possíveis, depois de vultos como Aquilino, Sophia ou Cardoso Pires terem perdido a oportunidade: o Nobel só distingue autores vivos.
CURIOSIDADES
O CASO TOLSTOI
Quando o Prémio Nobel foi instituído, em 1901, parecia consensual que o primeiro a ganhar seria o russo Leon Tolstoi. O seu nome, porém, não constava da lista, por não ter sido proposto por ninguém. Tolstoi ficou tão furioso que enviou uma mensagem à Academia a dizer que nunca mais se lembrassem dele.
OUTROS PRETERIDOS
O primeiro nome a ser contemplado com o Nobel da Literatura foi Sully Prudhomme, hoje um nome relativamente obscuro das letras francesas. Mas para além de Tolstoi, outros foram preteridos no prémio, casos de Jorge Luís Borges, Joseph Conrad, Guillaume Appolinaire ou James Joyce.
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