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Correio da Manhã

Cultura
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Jair Pina e filho juntos para fazer música do mundo

"Em Cabo Verde mexia nas tampas da panela, caixotes, em tudo. Não tínhamos condições para ter instrumentos", diz Jair Pina.
Tiago Sousa Dias 20 de Abril de 2021 às 23:33
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Jair Pina e filho juntos para fazer música do mundo

Chegou a Portugal para ser futebolista, mas quando a música apareceu na sua vida, Jair Pina teve que decidir, e o batuque da percussão falou mais alto. "Já em Cabo Verde mexia nas tampas da panela, caixotes, em tudo. Não tínhamos condições para ter instrumentos", recorda o músico. Oriundo da Ilha de Santiago, em Cabo Verde, Jair reside em Lisboa há 36 anos. Tem o espaço Djairsound na Rua das Janelas Verdes, onde combina a música com gastronomia africana. "É aqui que consigo fazer a música e que ligo a nossa culinária a Cabo Verde.", afirma Jair, que conta com a ajuda do seu filho, Paulo Braz, tanto no restaurante como na percussão. " A minha história é uma cópia aqui do pai", conta Paulo Braz, " Comecei no futebol, com  aquele sonho de ser jogador mas há uns anos atras também a música começou a aparecer. E veio com Força.", Paulo tem uma carreira curta, dois anos, mas sente que tem uma estrada aberta para percorrer. Em parceria com DJ Amorim Júnior  criou o projeto Epidemia. Música eletrónica, House Music, Afro House. O DJ e o percussionista já percorreram várias discotecas em Portugal mas também pela Europa, e recentemente Guiné Bissau.

Jair Pina conta ao CM que o Djairsound passou a ser um ponto de encontro de grandes artistas. "Visitam o nosso espaço e acaba-se por falar muito de música e de futebol também. Atletas como o Nani vêm aqui matar as saudades da nossa comida e da nossa música. Rui Veloso, Mariza que adora ouvir Morna e comer uma cachupa. O Dino d'Santiago, o Djodje, o Tito Paris... esta é praticamente  a casa dele, só não dorme aqui porque eu não deixo.", diz Jair soltando uma gargalhada. "A música deu-me o prazer de poder conhecer grandes artistas internacionais. Poder trabalhar com o Sérgio Godinho e gravar com ele, com o Vitorino, Rui Veloso, Elba Ramalho. Pessoas que passavam por aqui e precisavam de um percussionista chamavam-me para trabalhar. O Tito Paris com quem trabalho há trinta anos. Com a Lura estive dez anos. Don Kikas, Paulo Flores. O que vai crescendo dentro de mim, e me dá cada vez mais vontade de estar ligado à música é esta particularidade de fazer a música do mundo, e não apenas a de Cabo Verde. Nestes trinta e tal anos de carreira as viagens foram muito importantes, não só pela música mas também pela culinária, e pelas pessoas que fui conhecendo em toda a parte do mundo. A experiencia que ganhei de ver e aprender com os outros mantem-me vivo e atualizado para que os grandes artistas e produtores se lembrem de mim."

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