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Correio da Manhã

Cultura
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João Mota: "Teatro fica muito mais pobre" sem Joaquim Benite

O director do Teatro Nacional D. Maria II, João Mota, considerou esta quarta-feira que o teatro "fica muito mais pobre" com a morte do encenador e director da Companhia de Teatro de Almada, Joaquim Benite.
5 de Dezembro de 2012 às 11:21
Joaquim Benite morreu esta quarta-feira, na sequência de complicações respiratórias devido a uma pneumonia
Joaquim Benite morreu esta quarta-feira, na sequência de complicações respiratórias devido a uma pneumonia FOTO: Jorge Paula

Joaquim Benite morreu durante a madrugada desta quarta-feira, aos 69 anos vítima, na sequência de complicações respiratórias devido a uma pneumonia.

"Além de um grande profissional, era muito amigo de Joaquim Benite desde o Grupo de Campolide onde, aos 18 anos, representei a peça "Bão" sobre a infância", disse João Mota, acrescentando que a melhor homenagem que se pode prestar aquele encenador é "continuar a obra por que sempre lutou e com o Festival de Almada que se tornou em evento cultural que extravasou a fronteira de Portugal".

Para João Mota, o trabalho de Joaquim Benite foi "uma pedrada no charco" logo quando em 1970 fundou o Grupo de Campolide, um grupo de teatro de cariz totalmente antifascista e que permitiu levar à cena várias peças que na altura era quase impensável que subissem ao palco.

Criar um público de massas, com hábitos de ir ao teatro, encenar peças de dramaturgos clássicos portugueses ou estrangeiros e mesmo modernos, além de criar um festival de teatro que fosse além da fronteira de Portugal sempre foram objectivos de Joaquim Benite, referiu ainda o director do D. Maria II.

"Custa-me muito ver que o Joaquim morre assim porque ainda tinha muito para dar ao teatro", sublinhou João Mota, referindo ainda o facto de o encenador estar a trabalhar na peça "Timão de Atenas", de Shakespeare, uma co-produção do D. Maria II com estreia prevista para dia 20 no Teatro de Almada e que em Junho de 2013 subirá ao palco principal do teatro nacional em Lisboa.

João Mota sublinhou ainda a importância de Joaquim Benite enquanto uma pessoa que "fazia pontes, deixando para trás questões de importância menor em benefício do teatro".

Jornalista e crítico de teatro, Joaquim Benite nasceu em 1943, filho de um empresário de teatro. Aos 17 anos fundou o Grupo de Campolide, formação amadora que viria a profissionalizar-se em 1977 no Teatro da Trindade, em Lisboa. Em 1978, o grupo muda-se para Almada onde assume o nome de Companhia de Teatro de Almada.

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