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Correio da Manhã

Cultura
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José Pedro Gomes está fora de perigo

A classe teatral portuguesa está consternada com a doença súbita de José Pedro Gomes, operado anteontem a um aneurisma, e está a inundar a sede da UAU (produtora com que o actor tem trabalhado nos últimos anos) com cartas e ‘e-mails’ de votos de melhoras rápidas.
8 de Março de 2005 às 00:00
Zé Pedro – como é tratado por todos – ainda está nos cuidados intensivos do Hospital Egas Moniz, em Lisboa, onde deverá permanecer pelo menos durante as duas próximas semanas, mas já está “fora de perigo”.
A noite passada esteve bastante agitado, mas os médicos tranquilizaram Paulo Dias, director da UAU, garantindo que é “perfeitamente normal em pessoas com o seu quadro clínico”. “O Zé Pedro tem de ser bem acompanhado e os próximos 15 dias são vitais, mas a nossa grande dúvida, neste momento, é saber se a sua recuperação vai ser mais ou menos rápida”, explicou o produtor.
Uma opinião confirmada por Pratas Vital, neurologista do Hospital Egas Moniz. “Embora não tenha acompanhado o caso pessoalmente, se o actor está consciente, ou seja, se respondeu às perguntas dos médicos ao acordar da anestesia – como parece ter acontecido – então há que esperar o melhor.”
E o melhor é que José Pedro Gomes deverá voltar à sua vida normal dentro de um a três meses. O pior seria surgir uma qualquer infecção, mas é para isso que lá estão médicos e enfermeiros: para acompanhar a evolução do doente a par e passo.
ASSÉDIO REPUDIADO
Entretanto, a equipa médica que operou o actor, liderada por Joaquim Pedro Correia, está incomunicável, e no Egas Moniz há ordens para não deixar entrar ninguém, a não ser a mulher de José Pedro Gomes, Cláudia Belchior.
Isto porque desde que a notícia da operação se espalhou, houve quem tentasse visitar o convalescente fazendo-se passar por familiar próximo – e até pela cônjuge (!).
Paulo Dias quer acreditar que seria por bem que as pessoas procuravam visitar José Pedro Gomes, mas por razões de segurança é melhor impedir as visitas e ponto final. “Agora, só a mulher o pode ver, e depois logo se vê”, conclui.
E quanto às mensagens de apoio, enviadas por colegas e também por anónimos, Paulo Dias diz que chegarão a Zé Pedro assim que ele possa ler. Oxalá seja bem depressa.
"ISTO FAZ-NOS REPENSAR TUDO"
Companheiro inseparável de José Pedro Gomes, António Feio era, ontem, um homem bem mais tranquilo do que anteontem, em que parecia que tinha caído o Carmo e a Trindade sobre a equipa da UAU. Ao Correio da Manhã, manifestou o seu alívio perante o sucesso da operação a que o seu colega e amigo de há longa data foi submetido.
“Tudo o que posso dizer é que, neste momento, estamos todos muito confiantes”, disse. “O Zé Pedro é uma pessoa de quem todos gostamos muito, portanto continuaremos preocupados até ao dia em que ele sair do hospital, mas temos confiança de que tudo se resolverá.” Do susto, nem dá para falar.
“Foi horrível”, confessa. “Tanto quanto sei, 50 por cento das pessoas que têm um aneurisma não ficam para contar a história...”
Para já, e como é óbvio, quaisquer projectos profissionais que estivessem em agenda ficam adiados. “O Zé Pedro ia fazer uma ‘stand up comedy’, e nós teríamos um espectáculo juntos para estrear em breve, mas tudo isso fica em ‘stand by’. O que interessa agora é que ele fique bem”, revelou, concluindo: “Isto faz-nos repensar tudo. Cada vez mais tenho a noção de que a nossa vida é frágil e que as pessoas deviam parar para pensar um bocadinho. Não vale a pena preocuparmo-nos com coisas mesquinhas”.
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