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Correio da Manhã

Cultura

Juntos... mas só em palco

Depois do memorável concerto de 2003 em Coimbra, os Stones voltam a Portugal. O estádio do Dragão vai juntar em palco os ‘rockeiros’ já que, fora dele, evitam encontrar-se.
11 de Agosto de 2006 às 00:00
Ao fim de 44 anos de relação aumenta a necessidade de espaço próprio e o tempo de convivência diminui. Os Rolling Stones não fogem à regra. Antes do concerto de hoje, no Estádio do Dragão, Porto, Mick Jagger e os restantes elementos da banda vão evitar estarem juntos. Onde um está, os outros saem.
Os quatro Stones sairão do Hotel Sheraton para o local do concerto em viaturas separadas, onde chegarão às 15h00. Já no hotel, evitaram partilhar os mesmos espaços. A necessidade de não se verem chega ao ponto de Jagger marcar um restaurante e informar os restantes companheiros. Para que não lhes passe pela cabeça aparecerem por lá.
Já no Dragão, cada um tem o seu camarim – Jagger ficará com o balneário do FC Porto – e não se cruzarão, a não ser durante o ‘sound check’ e às 21h30 quando subirem ao palco para cantarem clássicos como ‘Satisfaction’ ou ‘Angie’.
Pelo meio têm seis horas para ocupar no estádio e a banda britânica traz uma mesa de snooker. Mas mesmo na sala reservada para os jogos não se vão encontrar. “É uma regra de ouro”, disse ao CM fonte da organização. O quarteto mais famoso do rock comerá ainda sandes especiais e sumos naturais antes do espectáculo. Ao contrário do que se pensa, as exigências dos Stones couberam numa folha A4.
À hora do concerto, encontrar-se-ão junto à saída dos balneários do estádio onde têm um carro para os ajudar a fazer os 50 metros que os separam do palco, onde actuarão durante duas horas (até às 23h30).
Segundo Nuno Bra-amcamp, da Ritmos e Blues, há ainda 1200 bilhetes para vender, para todas as zonas do estádio. “Não há necessidade de recorrer à candonga”, disse.
Ontem, no estádio do Dragão ainda era possível ver os cerca de 150 trabalhadores a prepararem o recinto. O palco é uma estrutura monumental, onde a organização espera dar aos fãs uma experiência única. Cerca de 200 pessoas vão estar no palco, em camarotes. É uma estrutura de escadas em que os fãs não terão hipótese de sequer sonhar em tocar em Mick Jagger, porque terão 24 seguranças de olho neles.
Depois das três horas de espectáculo, na segunda-feira o Dragão voltará a ser só um estádio de futebol.
AS AULAS DE CANTO DE JAGGER
O vocalista dos Rolling Stones, Mick Jagger, confessou que teve lições para treinar a voz depois de 35 anos de carreira. “Mais vale tarde do que nunca”, afirmou em declarações à emissora britânica Virgin Rádio.
O cantor, de 63 anos, explicou que se submeteu a sessões de “treino da voz há uns anos”. As lições ajudaram--no a exercitar os músculos da garganta. “Um pouco de treino vocal ajuda a aquecer a voz”, disse o vocalista da banda britânica que sábado estará no Porto para um concerto no Estádio do Dragão. Mick Jagger disse ainda que recomenda a todos os jovens intérpretes que treinem a voz, uma coisa que ele não fez.
FUGIR AOS IMPOSTOS NA HOLANDA
120 milhões de euros foram as receitas dos Stones em 2005, pagando apenas 5.5 milhões de impostos. Esse milagre acontece a conselho de Rupert de Loewenstein, um banqueiro inglês que gere o dinheiro dos três ‘Stones’ – Jagger, Keith Richards e Charlie Watts: é que desde 1986 o domicílio fiscal do grupo é em Erengracht 566, no centro de Amesterdão (Holanda), porque neste país os direitos musicais são taxados apenas a 1.6%. Uma excepção europeia que tem sido denunciada muitas vezes. E desde Abril, diz a Imprensa holandesa, todos os direitos estão ali, porque querem defender os seus herdeiros e fazer ali o seu testamento.
A BANDA
MICK JAGGER
Vocalista, 63 anos, detém o título de ‘quinto artista mais sexy de sempre’. Vinte vezes capa da ‘Rolling Stone’, dedicou um dos hinos da banda, ‘Angie’, à ex-mulher de David Bowie, Angela, com quem namorou.
KEITH RICHARDS
Conhece Jagger desde os quatro anos, mas só em 1960 se voltaram a encontrar acidentalmente num comboio. Nasceram os Roling Stones, imparáveis, como este eléctrico guitarrista de 62 anos, nascido em Kent.
RON WOOD
Guitarrista da banda, 65 anos, sucedeu a Mick Taylor e tocou com Rod Stewart antes deste trocar os Faces por carreira a solo. O sucesso não o livrou do efisema pulmonar que pôs fim à vida de fumador e bebedor compulsivo.
CHARLIE WATTS
Baterista do grupo, 65 anos, tem projectos de jazz paralelos. Juntou-se a Jagger e Richards, os fundadores actuais, a menos de um ano da fundação. Em 2004, foi-lhe diagnosticado um cancro na laringe, actualmente em remissão.
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