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Correio da Manhã

Cultura
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Karyna Gomes, a cantora guineense que trocou o jornalismo pela música

Cantora está neste momento a trabalhar no segundo disco mas não avança data do lançamento.
Tiago Sousa Dias 2 de Dezembro de 2019 às 19:24
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Karyna Gomes, a cantora guineense que divide a vida entre a paixão pela música e o jornalismo
A cantora guineense Karyna Gomes começou a cantar em 1997, no Brasil, quando se mudou para o continente americano para fazer um curso de jornalismo. Conheceu um coro gospel, da igreja que frequentava. Com esse coro começou a cantar em inglês e algumas canções em português. "Foi aí que veio o despertar para a música. Mesmo antes de concluir o curso de jornalismo. E não parei mais. Venho de uma família de músicos, mas foi no Brasil que descobri que tinha esse talento.", recorda a cantora.

Em 2001 regressou à Guiné Bissau. Trabalhou como jornalista na delegação da RTP e só em 2005 voltou a cantar. Foi a cantar, num festival organizado pela CPLP em Bissau, que o líder da banda Super Mama Djombo a ouviu.

"Fui convidada a integrar o grupo de músicos que estaria no festival. Entre esses músicos estava o Justino Delgado, o Tito Paris. Grandes nomes da música lusófona. Foi a primeira vez que apareci profissionalmente a solo.", recorda Karyna.

Foi com essa atuação que o chefe da Orquestra Super Mama Djombo, Adriano Atchutchi, a convidou a fazer parte da banda, e do disco gravado na Islândia, que saiu um ano depois do festival, em 2007.

"Com os Super Mama Djombo, foram várias digressões. Foi uma escola. Uma iniciação à música moderna guineense. Até então era uma cantora de Soul, de RnB e Gospel. Tinha que aprender a cantar a música da Guiné Bissau. Fui pesquisando até encontrar uma forma própria de interpretar as canções que fui descobrindo.", conta Karyna, que assim foi construindo a sua carreira a solo. Com base no background adquirido  no Gospel e na experiência com a sua banda, com Manecas Costa e outros músicos da Guiné Bissau, que já labutavam fora do país, conseguiu a inspiração para seguir o seu trabalho.

Para Karyna Gomes é essencial que o seu trabalho tenha o seu ADN, a sua impressão digital. A identidade não se resume à nacionalidade, à sua raiz. É construída a partir das vivências. Com o que se identifica mesmo sem pertencer à sua raiz.

"Fui buscar a minha raiz, e fui pondo as coisas com as quais me identifico, no meu trabalho. Daí não ser um disco de música guineense pura, mas um disco da Karina. À minha maneira. A minha música da Guiné Bissau.", informa a cantora sobre o disco 'Mindjer' ( Mulher ), lançado em 2014.

"Na verdade foi uma grande homenagem às mulheres. Uma homenagem natural, não pensei no tema 'Mindjer' e construi o reportório em torno da temática dos direitos da mulher ou do feminismo, não tem nada a ver com isso. Foi uma coisa natural, se calhar por fazer parte de uma família com mulheres muito fortes. Mulheres guerreiras. O próprio disco foi gerido por três grandes mulheres que na altura trabalharam comigo, para além do produtor Paulo Borges, que me disse que o disco só se podia chamar 'Mindjer' porque há várias músicas com essa temática.", refere Karyna Gomes.

A trabalhar neste momento no segundo disco, a artista não avança a data do lançamento. "Eu costumo dizer que os discos são como os bebés, nascem quando querem, vamo-los fazendo e quando acabar, acabou, e lança-se. Espero que seja para breve, até porque já estou com ele há algum tempo. Já mandei coisas masterizadas para trás, porque não era aquilo. Mas já encontrei uma linha, com a minha raiz sempre presente, e com tudo o que vou vivendo. Vivo em Portugal há quase dez anos e já bebi muito da música portuguesa onde descobri muito de África. Tanto no que se faz mainstream como no mais tradicional, vocacionado para o mercado onde ainda me encontro. Há abertura para outros mercados, graças ao disco 'Mindjer'  tenho participado em vários festivais a nível mundial, e vejo cada vez mais DJ's em festivais de Jazz e vejo rock em festivais de World Music, como agora em Cabo Verde no Atlantic Music Expo, uma banda brutal de rock de Madagáscar.", conta ao CM a cantora, para quem a música está cada vez mais homogénea, porque a globalização veio para ficar, e Karyna Gomes não quer ficar musicalmente à margem dessa evolução.
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