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Correio da Manhã

Cultura
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KGB revela Simenon espião e mentiroso

Georges Simenon (1903-1989), o criador do ‘Comissário Maigret’, era um escritor e um mentiroso compulsivo, em doses iguais, que se gabava de ter dormido com mais de dez mil mulheres e, mais, admirava e colaborava com Hitler e Estaline.
13 de Janeiro de 2006 às 00:00
Georges Simenon, uma personalidade controversa
Georges Simenon, uma personalidade controversa FOTO: d.r.
As revelações vão sendo divulgadas à medida que se tornam conhecidos os arquivos secretos da antiga União Soviética, em concreto da KGB, o que arrasta consigo uma avalancha de reedições de artigos e biografias sobre o autor das 84 aventuras de Maigret.
Na biografia que lhe dedicou Patrick Marnham em 1992, reeditada em 2002, lê-se que o escritor belga colaborava com as tropas nazis e terá requerido mesmo um ‘certificado de arianidade’.
Mas há mais, de acordo com o diário italiano ‘Corriere della Sera’, nos arquivos oriundos da antiga Odessa, actual Ucrânia, existe um que lhe é exclusivamente dedicado e onde figuram registos pormenorizados de deslocações do escritor a esta região, aí sendo recebido pelos serviços secretos que chegaram “a colocar à sua disposição uma viatura de luxo”, lê-se.
Na mesma edição, mais adiante, dá-se conta de como, durante a mesma viagem, o autor se encontrou repetidas vezes com Sónia, a quem se refere como “o meu anjo da guarda”. Acontece que esta mulher consta dos arquivos da polícia secreta como sendo espia.
OS CACHIMBOS
Sónia não terá sido a única espia na vida do escritor. A fazer fé na correspondência de Simenon, à guarda do Arquivo Central de Moscovo para a Literatura, outra destinatária de muitas cartas é Tatiana Sukhomina, conhecida da KGB como tradutora e... espia!
A curiosidade maior, porém, reside no ‘capítulo dos cachimbos’, que regista dois episódios. Simenon oferece a Odessa, em retribuição da hospitalidade, “o cachimbo de Maigret”, e na dedicatória escreveu: “Deixei de escrever. Finalmente sou livre. Entrego-vos o cachimbo do Comissário Maigret.” Não fosse o caso do cachimbo em causa ser russo e tudo estaria bem. Na segunda história de cachimbos, Simenon recebe um enviado por Estaline. Os dados são do PC da URSS, de Leningrado.
Posto isto, por saber fica bem mais do que se sabe... Um caso para Maigret!?
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