La Féria mostra ‘Piaf’ em Angra (COM VÍDEO)

Foi com uma sala toda de pé a aplaudir e uma Wanda Stuart lavada em lágrimas que terminou anteontem, em apoteose, no Teatro Angrense, em Angra do Heroísmo (Açores), a estreia nacional de ‘Piaf’, espectáculo com que Filipe La Féria homenageia a musa francesa prematuramente desaparecida em 1963, aos 47 anos.

10.05.09
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La Féria mostra ‘Piaf’ em Angra (COM VÍDEO)
Cenário despojado enche-se com as canções e os dramas de Edith Piaf em mais uma encenação de Filipe La Féria Foto direitos reservados

Conhecedores do trabalho do encenador, os angrenses nem queriam acreditar na simplicidade do espectáculo, que não tem cenário algum, cuja acção decorre à frente de bambolinas pretas e que se limita a narrar, por ordem cronológica, alguns dos acontecimentos mais marcantes da vida da cantora. Porém, à medida que a acção avançava, surgiam, em cena, as provas da assinatura de La Féria: a emoção em crescendo (até ao melodrama), deixando empolgados tanto os espectadores, como o elenco.

La Féria diz que decidiu levar esta peça à cena assim que a viu em Paris. Havia outros interessados na corrida, mas o encenador antecipou-se e adquiriu os direitos antes de que outros o fizessem. Com a escolha da protagonista passou-se algo muito semelhante. 'Assim que vi a Sónia Lisboa pensei: é ela. Ela é a Piaf.' A figura, a voz, a presença vibrátil. Mas, como para um papel destes, é preciso duas actrizes, chamou Wanda Stuart. E é quase de dois espectáculos diferentes que falamos: se Stuart tem a experiência, o domínio completo do ‘métier’, Sónia Lisboa traz a frescura e a incrível semelhança física e vocal com Edith Piaf.

A autora da peça, Pam Gems, conheceu Piaf pessoalmente e foi ela quem lhe pediu que contasse a sua história. Com uma única recomendação: 'Não aldrabes.' E não aldrabou. O texto não escamoteia podres da vida de Piaf – a prostituição, a dependência dos homens, as drogas… –, mas também não esquece as suas grandezas: a colaboração com a Resistência Francesa, a generosidade com que sempre se entregou ao público, até lhe dar a sua última gota de sangue.

PORTO É A SEGUIR E LISBOA VAI TER DE ESPERAR

‘Piaf’ só fica no Teatro Angrense uma semana, mas não vem para Lisboa tão cedo. Sendo um espectáculo ‘diferente’ de Filipe La Féria – mais intimista do que espectacular –, fará carreira na Sala Experimental do Teatro Rivoli, no Porto, mantendo-se em cena enquanto o público continuar a afluir. É mais uma prova do fôlego do encenador, que tem também pronto a estrear, para a Sala Principal do Rivoli, ‘A Gaiola das Malucas’, com José Raposo e Carlos Quintas. Contando com ‘West Side Story – Amor Sem Barreiras’, são três grandes produções ao mesmo tempo.

'É UM DEGRAU NA CARREIRA' (Wanda Stuart, Co-protagonista de ‘Piaf’)

Correio da Manhã – Como se sentiu nesta estreia?

Wanda Stuart – Nervosa e ao mesmo tempo feliz. Consegui entregar-me totalmente e só assim se consegue dar a verdadeira dimensão desta mulher. Agora há que melhorar todos os dias.

– Conhecia o público de Angra?

– De Angra não. Mas apresentei um espectáculo no Teatro Micaelense e foi maravilhoso: foi aí que conheci o meu marido.

– O que significa ‘Piaf’ para si?

– É um degrau na minha carreira. Representou muito trabalho e espero não ter desiludido ninguém. Quanto à cantora, embora não seja propriamente fã, acho-a inspiradora: ela lutou por valores em que acreditava.

DETALHES

MUSICAL SOBRE ZECA

Filipe La Féria revelou que está a preparar um musical sobre a vida e obra do músico José Afonso.

CONVIDADOS VIP

Os actores Joaquim Monchique e Lourdes Norberto, o estilista João Rolo e Carlos Castro, cronista do CM, estiveram na estreia.

ACTOR HOMENAGEADO

A presidente da Câmara de Angra do Heroísmo, Andreia Cardoso, descerrou uma placa com o nome de Ruy de Carvalho, que estava presente.~

 

 

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