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Correio da Manhã

Cultura

LABORATÓRIO PRESERVA NAVIO ANTIGO

O Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) já dispõe de um laboratório especial para preservação e tratamento de madeiras antigas provenientes de embarcações naufragadas. A inauguração oficial acontece hoje, em Lisboa, na presença do ministro da Cultura, Pedro Roseta.
12 de Maio de 2003 às 00:00
A “estrela” desta nova infra-estrutura, “que não tem paralelo em nenhuma outra parte do Mundo”, como garantiu ao CM Francisco Alves, director do centro, será o navio quinhentista descoberto na Ria de Aveiro (Aveiro A) em 1996 e resgatado dois ou três anos depois.
“Trata-se de uma das embarcações mais bem preservadas do Mundo, com um dos lados completo, datada de 1440 e que pode explicar como eram naquela época os navios que carregavam artigos para exportação, no caso cerâmica”, explica o arqueólogo. Para além do “esqueleto”, os arqueólogos náuticos descobriram no mesmo local uma quantidade enorme de peças cerâmicas que continuam a ser recolhidas.
Os restos de madeira deste navio estarão, de acordo com as previsões dos técnicos, “cerca de quatro anos em tanques aquecidos, onde a madeira é impregnada com uma substância que lhe permite depois adquirir resistência à normal autodestruição”. No final deste período será então exposta ao público, num edifício a ser construído perto do local da descoberta, ao lado da Ponte da Barra, em Ílhavo.
Para além da caravela, o CNANS está também a tratar duas pirogas medievais provenientes do rio Lima, encontradas nos anos 80 e 90 e consideradas um dos mais importantes achados do género em Portugal.
NOVAS DESCOBERTAS
Os arqueólogos náuticos estão entusiasmados com as informações mais recentes acerca da descoberta de uma quarta piroga no Rio Lima. Segundo Francisco Alves, “chegou há dois dias a confirmação da datação, por radiocarbono, dizendo que se trata de uma embarcação com 2300 anos”.
A piroga, com sete metros de comprimento e que se apresenta “quase na íntegra”, foi encontrada no ano passado, mas retirada apenas há cerca de um mês.
O trabalho do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática está a ser feito em diversas frentes. Para além da continuação do trabalho de pesquisa, as equipas coordenadas por Francisco Alves, estão envolvidas na preservação de uma embarcação do século XIV, descoberta em Fevereiro do ano passado nas obras de expansão do Porto de Aveiro.
Outra das missões em curso é a recuperação da mancha de cerâmica derramada pelo naufrágio da embarcação quinhentista da Ria de Aveiro, bem como a sondagem do local “Aveiro A”, em busca da proa do navio.
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