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Correio da Manhã

Cultura
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LEITURA CONTINUA EM BAIXO

Os portugueses continuam a ser pouco adeptos da leitura, revela o Estudo de Hábitos de Leitura e Compra de Livros 2002, apresentado ontem pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL), em Lisboa.
12 de Junho de 2002 às 21:48
De acordo com um dos vice-presidentes da instituição, João Miguel Guedes (Verbo), este estudo apresenta “um quadro nada animador” dos hábitos de leitura dos portugueses.


“Os índices apresentados são muito difíceis de alterar e reflectem a verdadeira situação do País”, disse o responsável, para quem é “necessário lançar uma política de incentivo à leitura”.


“Temos de ter um investimento voltado para a formação de jovens leitores”, referiu o também vice-presidente Vasco Teixeira (Porto Editora).


“É fundamental incentivar o aumento em grande quantidade de jovens leitores”, sublinhou.


Na opinião de João Miguel Guedes, “este é um combate de toda a sociedade portuguesa, não só do Estado, dos editores ou dos livreiros”.


Uma das medidas apontadas por este responsável para estimular hábitos de leitura é o apoio e o investimento nas bibliotecas, municipais, públicas e escolares.


Apesar da ausência de estatísticas sobre bibliotecas, “temos a impressão de que os investimentos em livros são bastantes baixos”, observou.


“Um incentivo bastante importante seria investir em novidades editoriais. Uma maneira de chamar os leitores e criar hábitos de leitura com os últimos lançamentos editoriais”.

Índices para reflectir

Segundo o estudo da APEL, 76 por cento da população com idades compreendidas entre os 15 e os 65 anos declara-se leitor de livros ou revistas. No entanto, o índice de leitura de jornais ou revistas é nitidamente superior (73 por cento) ao de livros (47).


Nas localidades urbanas (53 por cento) e, particularmente na cidade de Lisboa (57), o índice de leitura de livros é superior à média nacional.


O sexo feminino representa 51 por cento dos grandes leitores. De igual modo, as pessoas até aos 34 anos lêem mais, situando-se um máximo de 77 por cento no grupo etário dos 15 aos 19 anos.


Em relação ao nível de instrução, as pessoas com cursos médios superiores (69 por cento) e superiores (94) são as que possuem elevados índices de leitura.


Apenas 53 por cento dos que se assumem como leitores de livros estavam no momento da sondagem a ler um livro. A nível de idades verifica-se, no entanto, serem os jovens entre os 15 e os 24 anos bem como os adultos dos 55 aos 59 que em maior número estavam a ler algum livro.


Os que lêem livros declaram fazê-lo essencialmente por gosto (92 por cento), enquanto a maioria dos leitores declara ler obras não escolares nem técnicas. No entanto, os livros escolares assumem maior importância (75 por cento) no grupo etário dos 15 aos 19 anos.


O número médio de livros lidos por ano é de 8,5, sendo o tempo médio dedicado à leitura de cerca de quatro horas semanais. Por outro lado, o tempo médio semanal dedicado à leitura de jornais ou revistas é de cerca de duas horas e meia.


No lar, o número médio de livros, que são essencialmente comprados em livrarias ou tabacarias, é de 172. Os livros escolares e as enciclopédias/dicionários são as obras predominantes.
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